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quinta-feira, Novembro 27, 2003

Texto da minha crónica de hoje no Jornal da Ria:

O Ano do Dragão e o Perigo do Populismo

"A nossa terra está mais limpa, iluminada e bonita"

É com esta frase que o Sr. Presidente da Câmara de Estarreja termina a sua mensagem à população publicada no último boletim municipal. Numa frase tão simples e aparentemente tão inócua estão ironicamente reunidos quase todos os defeitos do actual executivo camarário: o paternalismo sobranceiro, o populismo estéril, a intoxicação intelectual repetitiva da população e a monocultura da estética. Poderá parecer que uma análise tão exaustiva e peremptória a uma frase tão curta é um exagero da minha parte, mas acredito que depois das linhas que se seguem a opinião dos leitores poderá ser outra, ou pelo menos haverá certamente quem compreenda a natureza do raciocínio que me fez chegar a tão infeliz conclusão. De facto, os tempos em que os políticos se dirigiam ao povo utilizando uma linguagem artificialmente simplista, reduzindo os problemas do país ou do concelho a meras preocupações estéticas há muito que passaram. Hoje em dia o acesso à cultura já foi democratizado e todos percebem perfeitamente as mensagens políticas, por muito blindadas que estas estejam em conceitos filosóficos e ideológicos complexos. Por outras palavras, as pessoas não são burras e dispensam perfeitamente os paternalismos dos seus líderes políticos, mesmo quando estes estão a divulgar notícias que são do seu agrado, como é o caso. Neste modo de falar às populações acaba também por estar dissimulada alguma arrogância, como se o poder político tivesse uma superioridade intelectual de tal modo evidente, que o paternalismo e as palavrinhas mansas aparecem como algo de perfeitamente natural. Este tipo de linguagem acaba por ser uma espécie de versão política do "bilú bilú" enternecido com que normalmente falamos aos bebés!
Há relativamente pouco tempo, o principal adversário daqueles que se consideravam "de esquerda" eram os políticos e as políticas "de direita" e vice-versa. Hoje em dia as coisas já não são bem assim, e a principal batalha que se trava na política nacional e internacional (mais na Europa que nos EUA) é entre os políticos sérios e os populistas. De facto, o populismo é um fenómeno que não tem cor política, pois tanto ataca à esquerda (caso, por exemplo, de Francisco Louçã), como à direita (Paulo Portas, Manuel Monteiro). A táctica é simples: junta-se um pequeno conjunto de assuntos-chave, sobre os quais se concentra todo o esforço, quer ao nível das medidas tomadas, quer em termos de intoxicação mediática. Não se dá um passo sem o publicitar nos jornais e é preferível adiar as decisões se delas não se puder tirar os devidos dividendos políticos. À esquerda o populismo faz-se com questões como o aborto, liberalização das drogas leves, casamento homossexual e protestos anti-americanos. À direita, todos nos lembramos das promessas aos reformados e antigos combatentes, do choque fiscal, ou do combate à imigração e à construção europeia. Depois do show publicitário de ambas as partes, resta muito pouco. Em Estarreja passa-se o mesmo: para além da deficiente gestão a conta-gotas das obras e decisões herdadas do executivo anterior (parque industrial, privatização da recolha de lixos, cinema, biblioteca, quartel dos bombeiros, ERASE, praça do município, etc.), a Câmara Municipal limita-se a gerir a sua imagem, criando novos símbolos, fazendo protocolos para tudo e mais alguma coisa, iluminando igrejas, palmeiras, postes, etc., tudo em nome de uma eventual reeleição no final do corrente mandato, como se os problemas do nosso concelho se resolvessem neste curioso baile entre o Dr. José Eduardo, os membros do governo que cá vêm participar na festa e o povo de Estarreja, que involuntariamente é obrigado a dançar esta inesperada valsa. O enorme volume de notícias e material de propaganda produzido com estas medidas avulsas (recordo a publicidade que se deu à instalação do multibanco na Câmara ou à alteração do nome da estação de serviço de Antuã para Antuã-Estarreja...) vai inevitavelmente desviando as atenções dos enormes e graves falhanços do mandato do Dr. José Eduardo, como por exemplo são os casos do atraso das obras e perda de financiamento do Parque Industrial ou do traçado do IC1.
O actual mandato da coligação PSD/CDS faz lembrar as comemorações do ano novo chinês: o presidente da Câmara vai dentro da cabeça de um dragão gigantesco, a dançar e pular de alegria, olhando apenas numa direcção, pela abertura da boca do dragão, que lhe dá um ângulo de visão estreito e muito reduzido. Enquanto isso, o seu séquito de admiradores e colaboradores vai ocupando as partes de trás do boneco, apenas com as pernas de fora e dançando descoordenadamente atrás do seu líder, pois é-lhes impossível ver, uma vez que estão com a pele do dragão enfiada na cabeça. No entanto, todos dançam e pulam de alegria, acreditando que o estrito campo visual do seu líder é suficiente para os conduzir a bom porto...



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quarta-feira, Novembro 26, 2003

A Raiva


José Luis Moreira dos Santos publicou esta semana no Jornal de Estarreja um violento artigo de opinião, escrito com elevadas doses de bílis e com uma falta de clareza e frontalidade deploráveis. De facto, faltou ao comentador Moreira dos Santos a coragem de que se gaba no artigo ("eu sou um homem que vai de peito aberto para as lutas", ou qualquer coisa assim no género), para referir explicitamente os alvos das notáveis e criativas sequências de adjectivos vilipendiosos com que brindou os visados pelo seu artigo. Aliás, esta falta de frontalidade também se reflectiu a nível ideológico: o homem que diz ter uma integridade à prova das evoluções da história da humanidade ("votei sempre no mesmo partido") não foi sequer capaz de dizer porque é que insultava tão violentamente todos os que tinham opiniões diferentes das suas sobre o caso do IC1...
O artigo é, aliás, de uma vacuidade notável: para além dos insultos e das promessas de esclarecimentos privados a Joaquim Lagoeiro, nada mais existe naquela meia página de jornal.
Gostaria, no entanto, de deixar clara a minha opinião sobre o comentador Moreira dos Santos: normalmente os seus artigos e intervenções (dos quais quase sempre discordo) são bem fundamentados e bastante inteligentes. Considero, aliás, que Moreira dos Santos é uma das personalidades que melhor analisa a vida política de Estarreja, embora numa perspectiva que eu considero errada. O problema é quando a sua raiva intrínseca provoca estes tipos de descargas de mau humor, que para além de serem vazias de conteúdo, fazem com que a generalidade dos seus comentários passem a ser considerados como meros episódios de descompensação emocional... É mais um cérebro que se perde nas mãos do coração!

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terça-feira, Novembro 25, 2003

Os preocupantes sinais desta onda de anti-semitismo que está a chegar à europa estão na ordem do dia em vários blogues. O Rua da Judiaria, o Aviz e o Crónicas Matinais têm dado especial atenção a este tenebroso tema, em que pelos vistos se estão a reviver situações que pareciam definitivamente enterradas na história.
É espantoso o que se passa actualmente em França: quando há pouco mais de 1 ano os franceses permitiram que Le Pen disputasse a segunda volta das eleições, todos se indignaram e atribuiram o sucedido aos erros de Jospin. O resultado está à vista: a intolerância e o racismo parecem afinal ter raízes profundas na sociedade francesa, que embebedada pela sua selecção-de-futebol-benettom ignora sistematicamente estes avisos. Este já é o segundo...

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segunda-feira, Novembro 24, 2003

Notícia retirada da página da RVR:

OLINTO RAVARA NOVO ADMINISTRADOR DO HOSPITAL DE ESTARREJA



O economista Olinto Ravara é o novo Administrador-Delegado do Hospital Visconde de Salreu, substituindo neste cargo Pedro Almeida que geriu o Hospital de Estarreja nos últimos anos. para o lugar de Directora do Hospital e acumulando as funções de Directora Clínica foi indigitada Ana Paula Martins, clínica de medicina interna, e que se encontra há alguns anos a exercer a actividade na unidade hospitalar, ocupando a cadeira até agora de Lurdes Romão.O novo Administrador é de Aveiro, já foi presidente da Concelhia do PSD, secretário geral da Associação Comercial e deputado municipal. Na sua actividade profissional passou por diversas empresas e teve ainda responsabilidades de gestão empresarial em Moçambique.A tomada de posse no Hospital de Estarreja teve lugar no inicio desta semana.

Data de Publicação: Quinta-Feira, 20 Novembro 2003


Ou seja, o novo administrador "é de Aveiro, já foi presidente da Concelhia do PSD, secretário geral da Associação Comercial e deputado municipal do PSD. Na sua actividade profissional passou por diversas empresas e teve ainda responsabilidades de gestão empresarial em Moçambique". Mas afinal este belo currículo tem alguma actividade ligada à administração de serviços de saúde? ou temos que gramar apenas com mais um boy?

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O mundo dos blogues é realmente fascinante e o mínimo que se pode dizer é que isto anda mesmo efervescente. De facto, os blogues começam a nascer como cogumelos e os disparates que por vezes aqui se publicam ganham uma dimensão em regra muito superior à sua importância real. Os jornais e a rádio local têm tido um papel decisivo nesta divulgação, mas acima de tudo penso que o factor principal deste boom é a vontade das pessoas intervirem socialmente sobre os assuntos que dizem respeito a todos. Esta consciência cívica é o principal ponto positivo a extrair desta onda de blogues, que depois veremos se será efémera ou não...
Soube este fim de semana da criação de dois novos blogues “made in Estarreja”. O primeiro, mais benigno, chama-se Estrela Cansada e é da autoria do astrónomo e investigador José Matos, que também é deputado municipal pelo PSD. Trata-se de uma página recente, mas que começa com uma assinalável pujança e uma profundidade intelectual pouco habitual. A descoberta do espaço é um tema que me fascina particularmente desde os meus tempos de criança, em que li o inevitável “Cosmos”, de Carl Sagan, a televisão transmitia séries míticas como “Buck Rogers no Século XXV”, “Espaço 1999” ou “Galactica” e o meu pai, então numa fase de pensamento pró-soviético, era assinante de uma das mais brilhantes obras da propaganda da ex-URSS: a revista “Sputnik” (em russo quer dizer satélite). Enfim... outros tempos, outros pensamentos (pelo menos da minha parte...) e um ambiente de guerra das estrelas que ironicamente tornava o mundo num local mais seguro do que é hoje... Mas ainda bem que tudo isso acabou. Aliás, hei-de escrever um post sobre as minhas orientações políticas (se é que elas existem), pois tenho recebido alguns comentários que não são justos nem para mim, nem para os que realmente professam as doutrinas que me atribuem :)
De qualquer forma, visitem o Estrela Cansada, que vale a pena, pois é interessantíssimo. Já agora, um agradecimento ao seu autor pelo link para o Estarreja Efervescente, que já me rendeu algumas dezenas de visitas!
O outro novo blogue estarrejense é o Tiropassarinho, claramente a muito aguardada resposta política ao Estarreja Efervescente e ao Plastificai os Vossos Documentos. O seu autor anónimo (Zé Ferino) abriu as hostilidades com bocas dirigidas ao Platificai, que complementou num segundo post com alguns comentários que me visavam a mim. Penso que o modo como a questão foi colocada não é justo: a natureza das opiniões que eu tenho publicado neste site não é genética, nem o meu pai tem nada a ver com o que eu aqui escrevo. O Estarreja Efervescente, para o bem e para o mal, é uma criação exclusivamente minha, independente dos partidos políticos locais e nacionais e dependente apenas das minhas opiniões sobre as várias matérias que fazem a nossa vida política. Embora este seja um assunto que eu reconheço que tenho gerido com pinças, a verdade é que nem sempre o que eu aqui escrevo está de acordo com aquilo que o PS Estarrejense diz. Aliás, se analisarem com cuidado alguns dos meus textos poderão verificar isso mesmo: as diferenças poderão ser consideradas subtis, mas existem e estão expressas nos textos... De qualquer modo, fica aqui o recado para quem quer que me leia: os posts do Estarreja Efervescente, tal como todos os meus textos publicados nos jornais locais são da minha exclusiva responsabilidade. Não há ninguém que tome conhecimento dos textos antes da sua publicação quer nesta página, quer nos media locais... por estranho que isto possa parecer a algumas pessoas, o PS de Estarreja é informado do conteúdo dos meus artigos ao mesmo tempo que todos os outros partidos, isto é, no momento da sua divulgação! Não faço nem farei fretes a ninguém! Por outro lado, eu nunca tentei passar por comentador independente: o meu cargo de deputado municipal eleito pelas listas do PS manifesta claramente uma solidariedade em relação a um conjunto de pessoas e políticas que existiram e existem no nosso concelho...
Embora o Tiropassarinho não tenha propriamente analisado qualquer assunto de relevo da política local, penso que é inegável que se trata de uma página bem escrita, em que o seu autor tenta inteligentemente fazer uma contra-contra-análise à política local. Espero sinceramente que o Tiropassarinho consiga manter a sua actividade editorial, para bem do Web-debate político local. Para já, fica incluído na minha lista de links, embora eu considere que o nome Tiropassarinho é particularmente infeliz... enfim, talvez isto seja premonitório em relação à certeza das suas convicções! Já agora, obrigado pelo link para o Estarreja Efervescente!


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quinta-feira, Novembro 20, 2003

Enviei hoje ao Jornal de Estarreja uma resposta à reacção do Sr. Teixeira Valente à minha intervenção na convenção autárquica do PS (ambos os textos estão disponíveis noutros posts deste blogue). Eis o texto dessa resposta:

Perguntar ofende

Há cerca de 15 dias, o Jornal de Estarreja teve a amabilidade de publicar a intervenção por mim realizada durante a Convenção Autárquica do PS em Estarreja, em que eram abordadas algumas questões relacionadas com o futuro Parque Industrial de Estarreja. O referido texto dividia-se em duas partes: a primeira, em que se falava do projecto do executivo PS para o Parque, recordando-se as preocupações metodológicas e as soluções encontradas, bem como os diversos passos que publicamente haviam sido anunciados de modo a que se pudesse criar um modelo de gestão justo e que servisse os interesses do município de Estarreja. O Parque Industrial era apresentado como uma estrutura central no Plano Estratégico para o desenvolvimento do nosso concelho e a legitimidade desta importância era-lhe conferida pela aprovação pela Câmara e Assembleia Municipal. A segunda parte do artigo enumerava as questões que o actual executivo ainda não esclareceu sobre o futuro de uma estrutura que já devia estar construída há alguns meses, segundo as palavras quer dos anteriores autarcas, quer dos actuais. Falava-se também de um requerimento a que a Câmara Municipal era obrigada a ter respondido em 30 dias, mas que ao fim de mais de quatro meses continua sem qualquer resposta. Colocavam-se questões absolutamente essenciais para o funcionamento e implementação do Parque a que a Câmara nunca respondeu e que têm a ver quer com questão da administração e poder de decisão em relação ao Parque, quer com o financiamento desta infra-estrutura, que pelos vistos vai ser totalmente paga pelos cofres municipais, ao contrário do que sucedia no passado. Todas estas questões mereceram na última edição uma resposta do Sr. Teixeira Valente, deputado municipal do PSD, que no texto que fez publicar no vosso jornal mais não fez do que apresentar uma série de críticas ao executivo anterior, acabando por não responder a nenhuma das perguntas que haviam sido colocadas. Esta situação acaba por ser também ela sintomática do actual estado de coisas: o Sr. Teixeira Valente, para além de ser o representante da SEMA no nosso concelho, é também o deputado do PSD que mais se tem preocupado com o modelo de Parque Industrial a implementar, tendo inclusive publicado vários textos sobre o assunto nos diversos jornais locais. Pode mesmo dizer-se, em abono da justiça, que o Sr. Teixeira Valente é uma espécie de porta-voz do PSD para o tema do Parque Industrial. Ora, o que se pode concluir do texto publicado na semana passada é que o Sr. Teixeira Valente também parece não saber ao certo quando é que as obras vão terminar, quando é que se começam a instalar as novas empresas e muito menos qual o modelo de gestão a seguir ou o que é que aconteceu à comissão criada com pompa e circunstância para estudar o assunto, pois se o soubesse seria óbvia a inclusão destas respostas no seu texto. E se nem o elemento do PSD que mais se dedica ao Parque Industrial está a par do que se está a fazer (?), como é que a oposição, a Assembleia Municipal e a própria população hão-de estar? A verdade neste momento parece ser esta: vamos ter um mini-parque para mini-empresas atravessado por uma mega-estrada, que vai demorar muito mais tempo a ser construído e nos vai sair muito mais caro que o previsto. Em relação ao resto, há que esperar que o Sr. Presidente da
Câmara se digne a espalhar mais algumas migalhas de divulgação deste assunto, para que se possa pelo menos compreender o porquê de tanto secretismo...

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quarta-feira, Novembro 19, 2003

O vereador Fernando Mendonça apresentou esta semana aquela que me parece claramente a mais racional das propostas para o traçado do IC1. Dificilmente se poderia encontrar uma solução mais consensual no momento em que estamos. Penso que há que deixar as pequenas lutas políticas locais de parte e pensar no futuro do nosso concelho. Não me parece que se possa optar racionalmente por outra solução. No entanto, deixo aqui um aviso: dificilmente os interesses económicos associados à construção do IC1 vão concordar com esta proposta, pois certamente que a Lusoscut ganhará muito menos dinheiro com a "proposta Mendonça" do que com as irracionais alternativas que têm sido sugeridas.
Parece-me que esta proposta pode proporcionar algumas poupanças ao nosso governo, pelo que a sua análise e estudo deve ser encarada com seriedade.
Deixo aqui o texto para que leiam e comentem:


UMA PROPOSTA RACIONAL
PARA A CONSTRUÇÃO DO IC1


O IC1 tem sido um objectivo pelo qual se têm batido a generalidade das forças políticas existentes em Estarreja. Por isso mesmo, a sua concretização tem sido encarada ao longo dos últimos anos, como uma necessidade vital, enquanto factor de desenvolvimento de grande importância para o município, devido a um conjunto de razões das quais se destacam:
- A criação de uma nova acessibilidade viária com características de auto-estrada ao concelho;
- A potencialidade valorizadora do futuro Parque Industrial;
- A diminuição do intenso tráfego automóvel da EN 109, que é hoje um factor de insegurança e de perturbação, não só do centro urbano de Estarreja, mas também de Avanca, Salreu, Canelas e Fermelã.

É por demais conhecido o historial relacionado com as dificuldades em estabelecer um traçado definitivo dessa via no território municipal de Estarreja. Ao longo dos últimos anos, o processo de definição do traçado do IC1 no concelho, tem sido sistematicamente reapreciado e alterado, com cada solução apresentada a encontrar obstáculos de diversa ordem: políticos, ambientalistas, históricos ou a mera contestação das populações, agindo na defesa dos seus interesses patrimoniais.
Sabe-se, igualmente, que o projecto inicial, que previa a construção a poente de todo o território municipal – aquela que maiores consensos reunia –, já não será possível de executar, por força dos compromissos entretanto assumidos, que colocam desde já e inapelavelmente, a via totalmente a nascente em toda a extensão da freguesia de Avanca.
Por outro lado, a solução recentemente apresentada – a última que se conhece, já com todos os reajustes possíveis na freguesia de Avanca – está, ela própria, distante de se revelar a solução desejada para os interesses do município e do país, muito especialmente da população de Avanca.
Atente-se nos seguintes factos:
- A solução ainda não está definitivamente aprovada, estando dependente do estudo de impacte ambiental que a poderá reprovar;
- A reprovação do Estudo implicará um reequacionamento do projecto que poderá implicar o retomar do antigo traçado nascente, indesejado pelos motivos amplamente discutidos e divulgados, que são do conhecimento de todos;
- Ainda que o estudo de impacte ambiental seja favorável à mais recente solução, a construção do IC1 só tem o seu fim previsto em 2006, segundo previsões do Governo;
- Ainda que o estudo de impacte ambiental seja favorável, este traçado coloca em causa a execução do projecto do Parque Industrial tal como está previsto, com elevados prejuízos para o município;
- Ainda que o estudo de impacte ambiental seja favorável, são notórios os prejuízos que permanecem para a freguesia de Avanca, cortada a nascente pela auto-estrada e pela IC1, a poente pela via-férrea e agora a sul pelo desvio nascente-poente do IC1, criando um progressivo isolamento da segunda freguesia do concelho em relação à sede do município;
- Ainda que o estudo de impacte ambiental seja favorável, não nos parece razoável construir uma via com o traçado curvilíneo previsto para a ligação nascente/poente em Avanca;
- Ainda que o estudo de impacte ambiental seja favorável, a solução, ao definir um traçado que atravessa parte da Zona de Protecção Especial da Ria de Aveiro e dos campos do Baixo Vouga Lagunar, é alvo de uma forte contestação por parte dos movimentos ambientalistas que ameaçaram já o recurso a instâncias judiciais portuguesas e europeias, no sentido de impedirem a sua construção, facto que poderá atrasar a obra por um período de tempo indefinido;
- Ainda que o estudo de impacte ambiental seja favorável, os custos de execução deste traçado – com a extensão do desvio de nascente para poente e com o pontão de cerca de 8 Km sobre os campos do Baixo Vouga –, faz com que estejamos na presença de uma obra de valores extremamente elevados para o país e que poderão ter implicações futuras nos restantes investimentos públicos para o concelho de Estarreja, já que não é nada previsível que o Governo invista no nosso concelho milhões de euros numa estrada e, depois, ainda invista noutras carências do município;
- Ainda que o estudo de impacte ambiental seja favorável, conta já com a oposição da CIRES, uma das mais importantes empresas de Estarreja, que alega a aproximação da via aos depósitos de Cloreto de Vínilo, substância altamente explosiva, o que colocaria em risco a segurança do tráfego automóvel àquela distância.

Face a este conjunto de razões e, repita-se, dado o facto de ser uma realidade inultrapassável o IC1 estar já a ser construído a nascente até ao extremo sul da freguesia de Avanca, julgamos ser de extrema importância pensar-se numa terceira alternativa – que não a tradicional oposição nascente/poente. Uma terceira alternativa racional e razoável para o município e para o país, defendendo os interesses de todas as partes envolvidas nas actuais discussões do traçado.
Uma vez que o alargamento da Auto-estrada do norte será uma realidade a breve trecho, a terceira alternativa que hoje apresentamos passaria pelo aproveitamento desse alargamento, fazendo-se a fusão da auto-estrada do norte com o IC1 a partir do Falcão, em Avanca, até ao nó de Albergaria-a-Velha, retomando pela IP5 até Angeja. Ou seja, o IC1 faria a sua ligação à actual auto-estrada a partir do ponto em que actualmente está previsto o seu desvio para poente, sendo que entre Estarreja e Albergaria-a-Velha a auto-estrada e o IC1 seriam uma única via, com as faixas de rodagem que se mostrassem adequadas.
Esta proposta tem implícito o não pagamento de portagens nos troços Estarreja-Albergaria e Albergaria-Estarreja, naquilo que consideramos ser uma questão meramente técnica a estudar entre o Governo, a Brisa e a Lusoscut.

Esta solução encontra justificativos racionais nas seguintes premissas:
- Resolução a breve trecho (e não apenas em 2006, na melhor das hipóteses), do problema do tráfego na EN 109 em todo o município;
- As obras do alargamento em curso da A1 deveriam contemplar as exigências ditadas por esta proposta;
- Os dois troços de auto-estrada fundidos com o IC1 deveriam ter isenção de portagens;
- A construção de uma via rápida de acesso ao Parque Industrial e à Murtosa que servisse de acesso à auto-estrada e à IC1;
- A renovação de acessibilidades aos nós de ligação do concelho;
- A solução oferece inegáveis vantagens do ponto de vista de extensão do percurso, do ponto de vista ambiental e de impacto nas populações e nos territórios envolvidos
- A racionalidade na utilização dos recursos públicos e a consequente poupança de largos milhares de Euros aos cofres do estado

Tendo em conta que o governo pouparia largos milhões de contos na construção do IC 1 da forma que está actualmente previsto, essa importância seria canalizada para o concelho de Estarreja, investindo-se tal verba na aplicação do plano estratégico de requalificação do município, nas suas diferentes áreas de desenvolvimento.

Com esta proposta, estamos certos que será concretizada a solução que melhor se adequa aos interesse do país e do município, sem comprometer qualquer outra hipótese que se venha a revelar mais adequada no futuro. O mesmo não se poderá dizer da construção do último traçado que marcará definitivamente a paisagem estarrejense sem que seja possível avaliar, hoje, todas as consequências nefastas da sua adopção.
Com esta nova proposta, ganharia o país, Estarreja e os estarrejenses. E já, num futuro com um horizonte muito próximo.



Estarreja, 17 de Novembro de 2003
Fernando Mendonça
Vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal de Estarreja

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segunda-feira, Novembro 17, 2003

Para comemorar a inauguração dos novos estádios de Aveiro (como é que se chama?) e do Dragão (que nome tão infeliz!!!), recordo aqui uma crónica que li na Rádio Voz da Ria no dia 1 de Maio de 2003:

O Saque

Esta semana decidi utilizar esta crónica para falar de uma actividade que, na minha opinião, se tornou numa das mais nocivas para o nosso país. Um pouco surpreendentemente para quem me conhece, estou a referir-me ao futebol. De facto, embora eu seja confessadamente um adepto da modalidade, tenho que admitir que hoje em dia este desporto se tornou num dos principais factores de recessão em Portugal, e que, infelizmente, a situação parece tender para piorar, não se prevendo qualquer alteração do actual estado das coisas.
O futebol tem funcionado como uma espécie de vírus dissimulado, que ataca o nosso país simultaneamente em várias frentes, e infelizmente com uma enorme eficácia.
De facto, e começando por falar em termos económicos, a situação é absolutamente chocante: numa fase em que o país atravessa uma das mais sérias crises económicas e financeiras, gastam-se centenas de milhões de euros na construção de estádios de futebol absolutamente megalómanos e de um luxo ofensivo, quase todos desnecessários e que, como se tudo isto não bastasse, em alguns casos, como é o caso do estádio de Coimbra, vão provocar gravíssimos problemas à organização das cidades. O caso de Coimbra, é aliás emblemático: a construção do estádio numa zona central da cidade vai criar dificuldades enormes a todos os que habitam e trabalham naquela área, pois passará a ser praticamente impossível estacionar na zona do estádio e as deslocações passarão a demorar muito mais tempo, com os previsíveis engarrafamentos que irão surgir. Hoje em dia, ironicamente, é comum ouvirem-se pessoas a dizer que só esperam que a Académica desça para a segunda divisão, pois desse modo o previsível caos será menos notório. No entanto, por todo o país verificamos situações semelhantes: é inacreditável pensar-se que um país que financeiramente está de tanga (como diz o nosso primeiro ministro) se dê ao luxo de deitar abaixo 7 ou 8 estádios que estavam em perfeitas condições de funcionamento, para gastar milhões de euros em 7 ou 8 estruturas novas, que apenas vão receber, na maior parte dos casos, 2 jogos do famigerado Euro 2004!
A Bélgica e a Holanda, países com uma situação económica bastante melhor que a nossa, decidiram juntar-se para que os custos da organização do Euro 2000 fossem mais facilmente suportáveis. O Japão e a Coreia do Sul, também eles países muito mais ricos que Portugal, tiveram que congregar esforços para que a organização do Mundial 2002 fosse possível e os riscos económicos minimizados. Portugal, numa manifestação de arrogância e novo-riquismo sem par, recusou a proposta espanhola de organização conjunta do Euro 2004 e, numa inacreditável inconsciência económica e financeira, decidiu construir 10 novos estádios de futebol, quando bastariam 6 para que a prova pudesse ser realizada. Tudo isto é especialmente mais grave se nos lembrarmos da quantidade de contratados que estão a ser despedidos da administração pública e dos fortíssimos cortes orçamentais e aumentos de impostos que o nosso país teve que realizar para suportar esta megalomania de alguns. Estamos perante uma situação de autêntico assalto às contas públicas, com um dos mais fortes exemplos de desrespeito pela população da história democrática do país. Não acredito que, se se tivesse explicado ao país o que é que estava verdadeiramente em causa no momento da candidatura ao Euro 2004, existisse um só português sem interesses directos no futebol que apoiasse esta medida tão anti-democrática e disparatada.
Para cúmulo, depois de todos nós, com o dinheiro dos nossos impostos e o suor do nosso trabalho, termos pago com um esforço hercúleo a duríssima factura desta absurda competição desportiva, os bilhetes para os jogos por nós organizados são depois vendidos a um preço quase surreal, tornando-os inacessíveis para os bolsos de quase todos os portugueses. Por exemplo, para a final um bilhete pode chegar a custar 270 € (54 contos), e o bilhete mais barato fica em 85 €, ou seja, 17 contos. Isto é um autêntico insulto a todos os portugueses e uma falta de respeito como há muito não se via.
Poder-se-á argumentar, se alguém tiver a desfaçatez de defender o que se fez, que as alegrias proporcionadas pela nossa selecção serão suficientes para fazer o povo esquecer este disparate, e que os benefícios económicos do previsível aumento do número de turistas no nosso país serão enormes, e bastantes para compensar o investimento realizado. Nada mais errado! Quanto à nossa selecção, penso que todos temos ainda na memória os tristes episódios de falta de profissionalismo, ganância e má educação que os nossos jogadores protagonizaram há menos de um ano no mundial da Coreia e Japão. Vimos pessoas que ganham 100 mil contos por mês a dizerem que só jogariam pela selecção se os prémios fossem bons, jogadores a agredirem árbitros, treinadores em incursões nocturnas por casas de má fama, dirigentes a baterem com a porta a meio, etc. A péssima imagem que aquele grupo de indivíduos sem formação deu do país ficou na memória de todos e terá certamente enormes custos para Portugal, mesmo a nível económico. E em relação às supostas vantagens financeiras e económicas do Euro 2004 para Portugal, basta uma pergunta para rebater este argumento: alguém conhece um só economista que diga que o Euro 2004 vai ser bom para o país?
Se juntarmos a toda esta irresponsabilidade económica os perversos efeitos morais que todo este processo está a ter, o quadro negro fica definitivamente traçado. É triste observar-se a degradação de princípios, a impunidade e até a promiscuidade que neste momento une os mundos da política e do futebol. São inaceitáveis os joguinhos de manipulação com que se pressionam autarcas não alinhados, como foi o caso de Rui Rio, ou a forma interesseira como outros, como os Presidentes da Câmara de Braga e de Gondomar, tentam arrastar a todo o custo, passando por cima de tudo e todos, o máximo de benefícios para os seus municípios e clubes, mesmo que com isso arruínem as contas públicas.
É esta degradação moral que permite que um homem como Gilberto Madaíl, o responsável político e moral por uma grande parte de todos estes males, possa ainda ser quem preside aos destinos do futebol no nosso país, utilizando as mais estalinistas técnicas de asfixia política de todos quantos se tentam opor ao seu reinado. É esta mesma selva moral que faz com que um homem com a honorabilidade e até o sucesso profissional de Laszlo Boloni seja expulso do nosso país pela porta pequena, talvez por não ter cedido à tentação de pactuar com todos os que lenta, mas progressivamente, corroem as estruturas morais do desporto e até da própria sociedade portuguesa.
O futebol é, pois, em Portugal, um sector que vive acima das suas possibilidades, sem respeito pela lei do país, que a todos parece cobrar impostos menos àqueles que ganham milhares de contos por mês sem os declarar, e com a cumplicidade de uma classe política que acaba por ver na sua própria impopularidade o reflexo natural dos seus actos. Não deixa de ser irónico, contudo, que por já não ter qualquer respeito pelos políticos e governantes, e na ausência de algo mais importante, o povo se volte precisamente para o futebol.

Mantenho quase tudo o que escrevi, mesmo nesta fase de unanimismo deslumbrado. Apenas faço uma ressalva: até acredito que o Euro 2004 possa dar algum impulso à nossa economia. A questão é que provavelmente seria possível conseguir os mesmos resultados com um investimento muito menor... cortando, por exemplo, na construção de 3 ou 4 estádios!


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O Estarreja Efervescente já voltou ao seu normal funcionamento. Podem voltar a comentar livremente o que vos apetecer, que eu encarregar-me-ei de manter a polémica acesa, o que nem sequer parece ser muito difícil, dado enorme volume de erros com que a nossa Câmara Municipal tem vindo a brindar os munícipes... Aliás, são tantas as solicitações (IC1 com o seu traçado e portagens, ERASE, Parque Industrial, praça do município, etc..), que o mais difícil acaba por ser escolher por onde começar. Mantenham-se atentos!

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Um problema técnico que estava a fazer com que por vezes não fosse possível aceder ao Estarreja Efervescente fez com que eu tivesse que alterar a configuração deste site. Infelizmente, estas alterações fizeram com que se perdessem os comentários já introduzidos, bem como a possibilidade de fazer novos comentários. Espero conseguir repor a situação anterior o quanto antes. Até lá, por favor enviem as vossas opiniões para estarrejaefervescente@hotmail.com.
PS: mesmo que não seja possível restabelecer previamente o sistema anterior, eu tenho cópias de seguranças de todos os comentários, pelo que não houve qualquer perda de informação.

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sexta-feira, Novembro 14, 2003

O Plastificai os Vossos Documentos tem um novo post, talvez mais genial do que nunca. Há muito que não via nada tão bem feito em Estarreja! Os meus parabéns aos autores! Que maravilha!!!!

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quinta-feira, Novembro 13, 2003

O Estarreja Efervescente está ao rubro! O record de visitas foi batido todos os dias durante esta semana! Além disso, tenho recebido algumas interessantes reacções (na forma de conversas, mails ou comentários colocados on-line) a alguns dos textos deste site. Um dos mais interessantes foi o do Sr. Teixeira Valente, deputado municipal do PSD, que contesta as minhas intervenções sobre o Parque Industrial. Com a devida vénia, aqui fica o referido texto, que agradeço e divulgo, embora naturalmente nãoo concorde com o seu conteúdo:

PARQUE INDUSTRIAL


DOZE PERGUNTAS . UMA RESPOSTA



O artigo da última edição do Dr. Vladimiro Jorge Silva sobre o futuro
Parque Eco-Empresarial suscita doze simples perguntas.
A única resposta para todas as questões dá bem a dimensão do que
hoje já temos e do que a anterior Câmara fez e não fez. Contra factos não
há argumentos.

PERGUNTAS:

Em 2 de Janeiro de 2002:

? Quantos terrenos tinha a Câmara na Zona do Arruamento Principal, agora em
conclusão?
? Quantos estavam negociados? Comprados? E registados?
? Que hipótese havia então de começar com as obras?
? Que financiamento do Governo ou Comunidade existia?
? Que Protocolo ou acordo havia?
? Quantos terrenos havia negociados, comprados ou registados para construção
do Emissário de Águas Pluviais?
? Quantos terrenos manteve o Município na 5ª Fase da emprei-tada (terrenos
da antiga incineradora)?
? Que hipóteses havia de realizar toda a empreitada?
? Que parcerias havia?
? Que papel tinham as Associações Empresariais?
? Quantos lotes para empresas possíveis de constituir?
? Que hipóteses havia de a Quimiparque - Estarreja deixar de depender do
Barreiro?

RESPOSTA:

ZERO.
Felizmente hoje a realidade é bem outra.
A obra já começou e já se vê o seu avanço permanente.
Finalmente Estarreja vai ter o seu Parque Industrial.
Finalmente já começou a recuperar dos últimos muitos anos.
Lamenta-se que se possa ainda tentar vingar o que em tempo de
vacas gordas no paí­s - nos 8 anos do poder PS - não foi possível.
As obras fazem-se. Não basta falar e prometer. Há que trabalhar.
A realidade está à  vista. Por muito que custe a alguns.



JOSÉ TEIXEIRA VALENTE


A desculpa das "vacas gordas" do tempo do PS é sem dúvida original, especialmente se pensarmos que o actual executivo camarário passa a vida a argumentar aos quatro ventos que nunca em Estarreja os orçamentos municipais foram tão elevados como agora. Afinal em que á que ficamos? Nos boletins municipais diz-se ao povo que a vaca é gorda e à oposição diz-se que afinal ela é magra?
Em relação ao avanço das obras e à disponibilidade de terrenos: o concurso público internacional foi realizado e adjudicado, recolhendo o interesse das mais prestigiadas empresas a operar no nosso país, que acreditaram e lutaram pelo projecto. O processo estava a decorrer de uma forma normal, rápida e bastante mais ambiciosa que o actual.
O anterior executivo havia assumido a conclusão de uma obra muito maior em muito menos tempo. Mesmo depois da entãoo oposição PSD ter apresentado esses problemas, a câmara PS reafirmou as suas intenções. Alguns dos problemas acima referidos eram conhecidos e tinham solução à vista, de tal forma que quando o actual executivo chegou ao poder e suspendeu todo o processo, os trabalhos estavam em andamento...
O projecto do parque Eco-Industrial do PS era um projecto a sério: nos tempos do PS, o IC1 não cortava o parque a meio (aliás, até tinha um acesso especí­fico para este...) e havia um modelo a seguir, bem definido e reconhecido internacionalmente (o modelo do parque de Kalundborg, na Dinamarca - veja-se o texto da minha intervenção na convenção autárquica do PS). O Parque Eco-Industrial surgia como algo de perfeitamente lógico no Plano Estratégico de Estarreja (o tal que este executivo abandonou).
Em relação à Quimiparque e à sua dependência do Barreiro, respondo com outra pergunta: porquê esta subserviência? A que propósito é que têm que ser os municípios a resolver os problemas dos "elefantes brancos" que o Estado cria? Não é a CME que tem que financiar as ineficiências de estruturas como a Quimiparque! Por outras palavras: quem criou o problema que o resolva... não venham é ao bolso dos estarrejenses!
O modelo de gestão do Parque Industrial nos tempos do PS era público e bem claro: conheciam-se os parceiros, sabia-se que a CME iria ser sempre maioritária (o que nem sequer está garantido no modelo actual) e havia uma continuidade entre o plano estratégico e a construção do Parque, que agora se perdeu completamente. O anunciado mini-parque para mini-empresas atravessado pela mega-estrada surge como uma estrutura avulsa na paisagem de Estarreja, criada, segundo as palavras do Dr. José Eduardo, para competir com os parques industriais de metrópoles como a Murtosa, Albergaria-a-Velha ou Ovar. Longe vão os tempos em que o desenvolvimento industrial de Estarreja era uma prioridade nacional...
Em relação ao financiamento, este é talvez o ponto mais triste de todos: depois do anterior presidente da câmara ter afirmado perante a Assembleia Municipal que o financiamento existia, estava garantido e que ele próprio estava à disposição dos novos autarcas para explicar a forma de o obter, ninguém lhe perguntou mais nada! Porquê este orgulhozinho bacoco? Na política nem tudo o que se faz pode ou deve ser discutido em público, e quando o interesse concelhio está em jogo, devemos saber ter sentido de estado (isto é, de concelho) e deixar estas guerrinhas de parte! Ou pensam que iria ser fácil para o anterior presidente da CME revelar àqueles que tanto o criticaram a forma de fazerem um brilharete, que havia sido conseguido apenas graças ao seu esforço pessoal? A questão do não-financiamento do Parque Industrial é, seguida de perto apenas pelo caso do desastrado traçado do IC1, o mais grave falhanço do actual executivo camarário! Quanto custou isto a Estarreja? Como é que ainda têm coragem de falar nisto?

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Há um interessante comentário ao post anterior, da autoria do esta...régio, que parece ser um comentador com potencialidades para tornar este blogue um pouco mais efervescente. Só espero que o esta...régio não seja mais um alter-ego do Marinhão, o bem denominado policomentador residente, por quem, confesso, já começo a sentir alguma simpatia, independentemente dos disparates que por vezes continua a escrever.
Contudo, este prometido futuro personagem do Estarreja Efervescente coloca uma dúvida que de facto é pertinente: porquê a inclusão de 3 links para sites israelitas?
Passo a explicar: os links que eu seleccionei para figurarem na lista da direita estão lá por vários motivos possíveis: porque têm qualidade, porque correspondem a blogues de amigos (caso do O Baralho de Cartas da Vida, que também tem muitíssima qualidade, dentro do género non sense), porque falam de Estarreja ou porque são páginas pouco conhecidas e que têm um significado especial para mim. É este o caso dos sites israelitas, que correspondem à versão inglesa de dois jornais (o Haaretz e o Jerusalem Post) e ao site de uma organização pacifista (Tikkun). A referência a estas páginas foi influenciada pelo Aviz, o blogue do jornalista/escritor Francisco José Viegas e foi incluída no Estarreja Efervescente como uma forma de solidariedade para com o martirizado e injustiçado povo de Israel. A inclusão destes links é também uma tomada de posição em termos de política internacional. Os que me conhecem sabem que eu desde sempre fui um firme apoiante dos EUA e de Israel. Quanto ao esta...régio: não o vou acusar de nada se resolver escrever em alemão... mas também não lhe vou poder responder, pois infelizmente não percebo quase nada dessa língua!

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quarta-feira, Novembro 12, 2003

Depois de dois dias de ausência férteis em actividade do policomentador Marinhão, sinto que devo pôr alguns pontos nos iis:
- Em primeiro lugar, o meu objectivo com este site não é a ascensão a qualquer "tacho" político, mas apenas agitar as águas, lançar polémica e criar nos decisores políticos locais a provavelmente desagradável sensação de que estão a ser atentamente observados, e que os estarrejenses não se deixam comer por lorpas, como está agora a acontecer em casos como o do IC1 ou da REFER. Este blogue serve para discutir ideias, criar polémicas e debater politicamente o nosso concelho de uma forma mais livre e participada que os jornais ou a rádio, a que nem todos têm acesso. Não tenho ambições de ascender politicamente com este tipo de actividades. Aliás, o meu lugar de deputado municipal independente eleito em 8º lugar na lista do PS serve perfeitamente para preencher as minhas ambições nesta matéria... não preciso de protagonismos adicionais!
- Em relação às portagens do IC1: eu não sou anti-portagens. Aliás, até sou adepto da aplicação de portagens, desde que se garantam dois aspectos: a existência de vias alternativas válidas (o que não existe no caso do IP5, por exemplo) e mecanismos de diferenciação positiva para aqueles que têm que pagar portagens para se deslocarem diariamente para o seu local de trabalho (à semelhança do que existe, por exemplo, na Dinamarca, em que estas despesas descontam no IRS até um determinado limite).
No caso do IC1, tudo indica que as portagens irão existir apenas para financiar a ultra-dispendiosa e aberrante solução "José Eduardo-Marques Mendes", o que é altamente imoral. Não só nos obrigam a gramar com aquele disparate, em que prejudicam o nosso concelho ambiental e economicamente, como ainda por cima nos apresentam a factura!
É contra esta desfaçatez que eu me insurjo e deixem que vos diga: o povo não é burro e as iniciais IC poderão mesmo significar "Incineração de Candidatura" em relação à eventual revalidação do mandato do actual executivo camarário!

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terça-feira, Novembro 11, 2003

Os meus conhecimentos de informática evoluiram exponencialmente nos últimos 20 minutos: aprendi a disponibilizar links fixos para outras páginas e consegui que os textos antigos do Estarreja Efervescente ficassem novamente disponíveis através da lista de links com a respectiva data! Às vezes vale a pena ler os ficheiros de ajuda da "Knowledge Base" do Blogger!

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segunda-feira, Novembro 10, 2003

A Machadada Final no IC1

Como se já não bastasse o inenarrável traçado de que o nosso Presidente da Câmara tanto gosta, ainda vamos ter que pagar por ele! A notícia fala por si: http://www.avanca.net/modules.php?name=News&file=article&sid=141 Leiam e comentem, por favor! Até parece demasiado grave para não ser mentira, não acham? O problema é que é mesmo provável que seja verdade!

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As ligações perigosas entre jornalistas e poder polí­tico que recentemente causaram tanta polémica em Estarreja estão também a (finalmente) ser debatidas a nível nacional. O primeiro a falar nisto foi o inevitável Pacheco Pereira, no seu Abrupto, mas o Público também começou a abordar o assunto, em http://jornal.publico.pt/2003/11/09/Media/R01CX02.html. Vale a pena visitar e meditar... o que aconteceu à carreira e ao estatuto de independência destes jornalistas? Ainda alguém acredita neles? Será que alguém em Estarreja enfia este barrete? É que ele serve para os dois lados (o contratante e o contratado)...

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O Sr. Artur Tavares, do Jornal de Estarreja, teve a amabilidade de publicitar o Estarreja Efervescente e o resultado está à vista: o número de visitantes disparou, e sobretudo é notável o aumento de duração das visitas, o que à partida é sinónimo de leitura do conteúdo deste site... ou então de alguém se ter esquecido do computador ligado com a internet aberta nesta página!!!
O Plastificai os Vossos Documentos publicou mais uma pérola literária do mais requintado que tenho lido nos últimos tempos. Que maravilha! Quem será o brilhante autor de tão tenaz texto? O Marinhão apresenta uma sugestão óbvia, dada a qualidade e mordacidade do texto... mas há pormenores que não batem certo, como a referência ao andebol! Eu também joguei andebol, mas deixo já o meu esclarecimento: infelizmente, eu não tenho nada a ver com o Platificai os Vossos Documentos. Quem será o plastificador?
O Eng. Esmeraldo Drummond é claramente o melhor dos deputados da Assembleia Municipal de Estarreja (com o devido respeito por todos os outros, mas as verdades têm que ser ditas), mas desta vez não estou absolutamente de acordo com as suas ideias. Se o Eng. Esmeraldo tiver razão, então Ferro Rodrigues é um verdadeiro herói e também um autêntico mártir (embora os assassinos palestinianos e da al-qaeda tenham desvirtuado o significado desta palavra). Deixo, no entanto, duas interrogações:
- Não será contraproducente para as tais forças organizadoras da cabala a criação de um mártir no PS? Se se prova que Ferro tem razão, então não é difícil de prever que vá ganhar um apoio popular imenso, capaz até de o fazer ganhar confortavelmente as próximas eleições! Não estarão essas forças a arriscar demasiado? Vale a pena este risco? Se os organizadores da urdidura forem descobertos, a sua desacreditação pública e condenação jurídica serão inevitáveis...
- Por outro lado, não nos devemos esquecer que um mártir morre no acto que lhe deu essa condição. E é precisamente isso que está a acontecer ao Secretário-Geral do PS: o governo aprovou um orçamento de estado quase pela calada, com o país entretido a discutir a Casa Pia e a liderança do PS e os "cromos do costume" a darem entrevistas (Carrilho, João Soares, ...). Este governo actua praticamente sem oposição, com ministros a cometerem erros gravíssimos, que noutros tempos seriam razão mais que suficiente para provocar a sua queda imediata (casos dos ministros da agricultura, administração interna e ambiente...), mas que perante a inoperância do PS têm passado impunes.
Por tudo isto, talvez fosse mais prudente Ferro sair de cena neste momento. Se se provasse que tem razão, então haveria condições para o seu regresso triunfante, provavelmente directamente para o cargo de primeiro-ministro.


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domingo, Novembro 09, 2003

Quanto mais se fala na substituição de Ferro Rodrigues e nos eventuais candidatos à sua sucessão, mais se percebe a falta de alternativas que existem no PS. Eu (que não sou militante) arrepio-me todo quando ouço falar em nomes como os de João Soares, José Sócrates ou Jorge Coelho como líderes possíveis. Qualquer um destes seria uma boa garantia de maioria absoluta para o PSD nas próximas eleições. Também não acredito no sebastianismo dos que defendem a solução António Vitorino, um político que já provou as suas qualidades técnicas, mas não as políticas (aliás, nessas ele até falhou... alguém se lembra dele como ministro da defesa?). O PS atravessa inegavelmente uma crise de valores. Entre os políticos com relevo nacional só vejo duas opções que me agradariam (embora eu saiba que não têm a mínima hpótese...): Francisco Assis ou Joaquim Pina Moura, claramente os dois melhores homens que o PS tem actualmente.
Fazendo um pouco de futurologia, deixo aqui a minha previsão, para que um dia me possam atirá-la à cara: ou muito me engano, ou a seguir ao sucessor de Ferro Rodrigues o PS vai passar por uma situação semelhante à que o PSD viveu em 1985: vindo não se sabe muito bem de onde, há-de surgir um desconhecido relativo, que será quem conseguirá levar o partido novamente ao poder, após 8 anos de Durão Barroso. Resta saber quem será esse homem, e o que deve fazer ele agora...
Há também quem diga que Ferro é um resistente, tão ou mais persistente como o foi Durão Barroso, pelo que ainda irá permanecer no cargo bastante mais tempo... Sinceramente, eu não acredito. Ferro Rodrigues é demasiado "boa pessoa" para ser líder partidário. Um bom líder partidário tem que ser frio, inteligente e corajoso e sobretudo não pode ser tão fiel aos amigos...

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sábado, Novembro 08, 2003

Recebi hoje na minha caixa de correio um estimulante link para mais um blogue dedicado ao nosso concelho: o Plastificai os Vossos Documentos parece-me inegavelmente um projecto extremamente interessante, que arranca com uma pujança notável. Parabéns ao(s) seu(s) autor(es), seja(m) ele(s) quem for(em). Esperemos que consigam manter os agradáveis níveis de veneno iniciais! Já agora, será que o nome desta página tem a ver com a actividade comercial que há anos se pratica no átrio da CME?
O Vasco Fragata fez um curiosíssimo comentário ao meu post sobre a intervenção do deputado municipal Paulo Vigário, do PSD. Embora este tipo de mexericos seja delicioso e irresistível, prefiro pensar que as razões para a previsível e natural ascensão partidária local de PV não ter acontecido têm a ver com o facto de hoje em dia não ser fácil vestir integralmente a camisola do PSD estarrejense, mesmo para alguém como Paulo Vigário...

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quarta-feira, Novembro 05, 2003

Sempre que o deputado municipal do PSD Paulo Vigário publica um artigo ou faz uma intervenção, gera-se alguma expectativa entre o pessoal afecto ao PS local. Normalmente os seus textos são bem escritos e fortemente contundentes (embora em termos de conteúdo estejam praticamente todos errados...) e, é justo reconhecê-lo, são dos que mais me chateiam! Esta semana o texto publicado pelo deputado PV no Jornal de Estarreja não foi tão arrasador como o costume, e surpreendentemente acaba por ir, também ele, na onda de auto-comiseração em que o Presidente da Câmara entrou desde que percebeu que o seu governo o enganou no caso do IC1. É espantoso que, depois de tudo o que se passou, ainda haja quem persista em pensar que a culpa é do Presidente da Câmara de Ovar! É de uma ingenuidade quase angelical acreditar que os últimos desenvolvimentos desta novela foram resultado do enorme "poder de influência" do Presidente da Câmara de Estarreja! Os factos são estes: Estarreja e Ovar são dois concelhos do mesmo país, e portanto governados pelas mesmas pessoas. Em Estarreja o povo pedia o IC1 a poente. Em Ovar o presidente da câmara terá pedido o IC1 a nascente. Estes dois pedidos não eram conciliáveis. O mesmo governo que autorizou o IC1 a nascente em Ovar está agora a realizar manobras de ginástica projectista que lhe permitam poder dizer que cumpriu os dois pedidos. Só que o povo não é parvo. E já todos perceberam que para Marques Mendes, Durão Barroso, Paulo Portas e Hermínio Loureiro poderem fazer o papel de Salomão, há pessoas e empresas no concelho de Estarreja que vão ter que sofrer... Para já não falar do ambiente, que assim é sacrificado apenas em nome do eleitoralismo de alguns indivíduos, e não do desenvolvimento de uma região.
A questão política essencial no meio desta polémica é esta: porque é que o actual problema está a acontecer em Estarreja e não em Ovar? Porque é que os vareiros não estão actualmente indignados com o poder de persuasão do Presidente da Câmara de Estarreja?
Porque é que não se fez primeiro a poente em Estarreja e depois se resolvia o caso de Ovar? Afinal, quem é que é influente? Será que estamos todos doidos? Já agora, quantos ministros naturais de Ovar existem? E deputados europeus?

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segunda-feira, Novembro 03, 2003

A notícia a que O Pai dos Burros se refere está (ou pelo menos parte dela...) em http://jn.sapo.pt/arquivo/noticia.asp?id=355783 e foi publicada no Jornal de Notícias do dia 20/9/2003.

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Ainda sobre a história que O Pai dos Burros conta: já repararam que há uma referência aos protestos do presidente da câmara da "capital do móvel"? Será que em Estarreja alguém se lembrou de protestar ou pedir esclarecimentos sobre esse acto de contornos nazis? Quantas pessoas são necessárias para ler os jornais diários para que alguém repare nas notícias que têm a ver com Estarreja? Este tipo de situações acaba por ter reflexos a outros níveis, como se demonstra pelo baile que sistematicamente levamos em casos como o do IC1, parque industrial, EDP, REFER, etc... enfim, somos mesmo uma terra de "boas pessoas"! Mas cuidado: a caça já começou e os patos correm perigo!

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Tenho recebido algumas reacções em que se critica o anonimato do Marinhão. Eu não estou completamente de acordo com o que se tem dito. Embora obviamente gostasse de saber quem ele é (apenas tenho alguns suspeitos...), prefiro ter os comentários anónimos do Marinhão do que não ter comentários nenhuns. À falta de opositores (ou provocadores...) com rosto, mais vale ter anónimos do que não os ter. Ao menos assim fico a saber por onde é que me criticam! Para além disso, as razões que levam o Marinhão a ser anónimo podem não ter necessariamente a ver com cobardia - há tantos motivos para não se querer (ou não se poder...) revelar a identidade... De certa forma, esta é também uma expressão da democracia na net: anonimamente, é mais fácil sermos sinceros. E o acesso à sinceridade é uma das conquistas da liberdade! Portanto, se o anonimato é o preço a pagar pela honestidade intelectual do Marinhão, que fique anónimo!

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