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quarta-feira, abril 11, 2007

O Pescoço do Enforcado
(post actualizado)

Como referi num post anterior, participar em alguns dos últimos debates do Saúde SA tem sido mais ou menos como jogar futebol contra uma equipa constituída por 11 Paulinhos Santos. No entanto, mesmo assim tem valido a pena. Vejam este mini-debate com o "hospitalepe":
Vladimiro Jorge Silva said...

Uma pequena nota: o governo está efectivamente a violar o Compromisso com a Saúde, quer dizer, com a ANF. A explicação para isto estará provavelmente no facto de ter sido JS e não CC a negociar o acordo. Talvez por uma questão de afirmação interna no governo, é inegável que CC está agora a tentar sabotar algumas das medidas com que antes concordou.
Há imensos pormenores do acordo que não estão a ser respeitados. No entanto, não me parece que seja isso que tire o sono a JC... nem isso nem a lei da propriedade. No entanto, se CC liberalizasse a instalação, outro galo cantaria seguramente! :)

1:03 AM
hospitalepe said...

Mas que imensos pormenores não estão a ser respeitados?
Nós também conhecemos o acordo.
E também sabemos ler e interpretar os termos do acordo!

Naturalmente, há coisas mais fáceis de implementar que outras.

Com este nível de argumentos parecemos os putos da escola.

E de teoria da conspiração já temos que chegue.
Essa de CC andar a sabotar o acordo do Sócrates não lembra ao diabo.

Sabem o que me parece?

A ANF parece uma confraria de budistas.E quando mete religião não há razão que aguente.

2:13 AM
Vladimiro Jorge Silva said...

Caro Hospitalepe: quando fazemos afirmações tão fortes como as suas, o mínimo que se espera é que as saibamos fundamentar. Caso contrário, entraremos no campo da desonestidade intelectual e a discussão fica reduzida a zero. No âmbito do ciclo de conferências sobre modelos europeus de farmácia, a ANF fez uma apresentação bastante extensa e detalhada em que colocava lado a lado os pormenores do acordo que todos conhecemos e o que estava (ou não estava) na proposta de lei correspondente. As diferenças eram em grande número e passo a detalhar algumas das que retive na memória:
- O compromisso prevê a publicação de um código de exercício profissional para reforçar a independência do DT das farmácias e os poderes da OF, mas a proposta de lei não refere nenhum destes aspectos;
- O compromisso prevê que todas as farmácias deverão funcionar num regime de igualdade fiscal, mas a proposta de lei mantém as desigualdades fiscais;
- O compromisso fixa limites de capitação e distância entre farmácias, mas a proposta de lei não os refere;
- O compromisso prevê a distribuição de medicamentos em unidose, mas a proposta de lei não;
- O compromisso prevê a generalização da prescrição por DCI, mas a proposta de lei não refere esta matéria. No entanto, o estatuto do medicamento recentemente publicado já viola o compromisso, pois prevê a prescrição por marca comercial.
...sinceramente, não tomei notas sobre esta matéria e estou a citar estes aspectos de memória, minha e de alguns amigos. No entanto, a lista poderia ser mais extensa e seguramente que quem perder algum tempo a comparar os dois documentos não terá dificuldades em encontrar as restantes diferenças.

hospitalepe said...

O Vladimiro Jorge Silva, de quem admiro a inteligência e capacidade de análise dos seus comentários, derrapa quando se trata de defender o mosteiro e a Ordem Sagrada.

O naco suculento que a seguir transcrevo saquei-o do "Efervescente":

«Entretanto, uma pequena nota: sem que se perceba muito bem porquê, a discussão das farmácias endureceu no Saúde SA. O tema aparece mais vezes, transformam-se situações desfavoráveis para as farmácias em "vitórias da ANF" e há comentadores com um surpreendente espírito de rolha - aconteça o que acontecer, estão sempre na mó de cima:
- Se é Cordeiro quem verga a vontade de CC, é o lobby a actuar, raios partam a ANF, há que combater este cartel/monopólio/oligopólio/lobby/grupo de interesse, etc.;
- Se é CC quem faz penar as farmácias é bem feito, ainda devia ser pior e só não o foi por causa do cartel/monopólio/oligopólio/lobby/grupo de interesse, etc..
Como muito bem refere o Peliteiro, se há vencedores, tem que haver vencidos. Portanto, caros amigos, decidam-se.»


Quem desde há pelo menos dois anos tem acompanhado o debate sobre as Farmácias e o Medicamento, aqui na SaudeSA, poderá concluir sobre a parcialidade e injustiça do texto acima transcrito .

Quando se trata de desancar no ministro, por vezes, em termos que nem os carroçeiros utilizam, estão todos de acordo e aplaudem, quando se trata do Papa das farmácias, ai daqui del rei que é preciso delicadeza, não vá algum assessor chegar-lhe o texto.
Os portugueses não conseguem viver sem estas sombras tutelares: salazar, cardeal cerejeira, o Pinto da Costa, o Valentim Loureiro, o João Cordeiro.

Quanto ao Acordo, é mais uma cedência do poder político para atribuir mais poder à ANF.
Além de ser um erro político, está eivado de erros técnicos lançando a confusão entre grupos profissionais da saúde.

Como tantas vezes sucede na blogosfera, às vezes somos excessivos nas respostas que damos (estou a falar de mim). Aliás, não tenho qualquer problema em encaixar (mas só moderadamente) com um sorriso nos lábios a reacção do hospitalepe, à qual também já respondi no Saúde SA. No entanto, aquilo que eu referia era basicamente isto: nunca fui um adepto do famigerado acordo (aliás, já aqui dissertei contra alguns dos seus aspectos), que até tem pormenores que me insatisfazem particularmente (como é o caso das injecções e dos concursos para farmácias nos hospitais). No entanto, perante o extremar das posições, por vezes acabamos ao lado sei lá de quem, a defender sei lá o quê. Faz lembrar a OPA à PT, cujo falhanço pôs sindicalistas abraçados a Joe Berardo e outras cenas que tais!
De qualquer modo, goste-se ou não do acordo com a ANF, penso que o respectivo incumprimento por parte do Ministério da Saúde é um facto indesmentível.
No entanto, como muito bem refere o Guidobaldo, a culpa do falhanço tem sido atribuída ao pescoço do enforcado... vejam aqui o comentário do Guidobaldo, que recentra a discussão de uma forma particularmente feliz:

Há tempos postei no Núcleo Duro que há caminhos de compreensão e de aprendizagem que têm de ser trilhados.

O dos medicamentos é um deles.

A ANF é um pólo de discórdia, de ódios, de rancores e bode expiatório do que faz, mas também do que não faz.

Todo o ser humano inteligente e com formação diferenciada sabe que qualquer relação causa-efeito nunca é univariada.

Por conseguinte, os fenómenos têm de ser vistos à luz de variáveis facilitadoras, de variáveis concorrentes, de varíaveis confundentes, de entre outras.

A ANF não. Há uma causa, um efeito e um nexo de causalidade definitivo e univariado.

Pois bem: assim seja.

Agora, quem comete erros de avaliação e sobre as conclusões assim tiradas toma decisões, pode ter uma garantia absoluta: erra.

E o mais grave é que para este tipo de erros os autores raramente se dispõem ao seu reconhecimento. Quando o enforcamento falha, a culpa não é da corda, mas sempre do pescoço do condenado.

Mais uma vez foi criado um túnel de turbulência. Isso pode interessar a não sei quem, mas seguramente que não à ANF.

Aos que o criaram, passem bem ... e uma boa colecção de caricas.

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Comments:
Caro Vladimiro

Há tempos postei no Núcleo Duro que há caminhos de compreensão e de aprendizagem que têm de ser trilhados.

O dos medicamentos é um deles.

A ANF é um pólo de discórdia, de ódios, de rancores e bode expiatório do que faz, mas também do que não faz.

Todo o ser humano inteligente e com formação diferenciada sabe que qualquer relação causa-efeito nunca é univariada.

Por conseguinte, os fenómenos têm de ser vistos à luz de variáveis facilitadoras, de variáveis concorrentes, de varíaveis confundentes, de entre outras.

A ANF não. Há uma causa, um efeito e um nexo de causalidade definitivo e univariado.

Pois bem: assim seja.

Agora, quem comete erros de avaliação e sobre as conclusões assim tiradas toma decisões, pode ter uma garantia absoluta: erra.

E o mais grave é que para este tipo de erros os autores raramente se dispõem ao seu reconhecimento. Quando o enforcamento falha, a culpa não é da corda, mas sempre do pescoço do condenado.

Mais uma vez foi criado um túnel de turbulência. Isso pode interessar a não sei quem, mas seguramente que não à ANF.

Aos que o criaram, passem bem ... e uma boa colecção de caricas.
 
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