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sexta-feira, agosto 18, 2006

O José Matos no Estrela Cansada tem dado alguns esclarecimentos sobre a eventual reclassificação do estatuto dos planetas actualmente em discussão em Praga. Aqui fica o copy-paste de alguns dos textos:

Mais planetas?
O que é um planeta? É uma questão que suscita debate há vários anos. Finalmente o comité responsável pelo assunto na União Astronómica Internacional (UAI) avançou com uma nova definição que vai ser discutida na reunião geral da UAI, que está neste momento a decorrer em Praga. A nova definição assenta em 4 critérios. Olhando à primeira vista parece-me que as coisas vão ficar mais confusas e que não tem grande sentido, por exemplo, promover Ceres a planeta, embora satisfaça o critério gravítico da forma redonda. Mas acho que nenhum asteróide por razões históricas devia ser promovido a planeta. O mesmo digo de Plutão. Seria mais fácil passá-lo a transneptuniano e ficarmos só com 8 planetas. Mas o mais espantoso é meterem Caronte nesta história. Afinal Caronte é um satélite de Plutão ou é um planeta?

Mas vejamos os critérios:

1) Um planeta é um corpo celeste que tem massa suficiente para que a sua gravidade modele uma forma esférica nesse mesmo corpo. Para se verificar esta situação deverá ser um corpo com 800 km de diâmetro e uma massa de 5 x 10*20 kg. Tem também que orbitar uma estrela e não ser uma estrela nem um satélite de um planeta.

(2) Há uma clara distinção entre os 8 planetas clássicos descobertos antes de 1900, que possuem órbitas quase circulares próximas do plano da eclíptica e os corpos descobertos mais recentemente que podem também ter o estatuto de planeta. Desta forma, Ceres também deve ser considerado planeta, podendo por razões históricas, ser chamado de planeta anão por uma questão de distinção em relação aos planetas clássicos.

(3) Plutão também é reconhecido como planeta assim como alguns dos transneptunianos descobertos recentemente. Mas como apresentam algumas diferenças em relação aos planetas clássicos passam a estar numa nova categoria de objectos planetários designada por “Plutões”.

(4) Todos os não planetas que orbitam o Sol serão designados como pequenos corpos do sistema solar.

So, let's see:

(1) Ceres -- after 206 years as an "asteroid" -- is suddenly reclassified as a planet.

2) Several KBOs considerably larger than Ceres are nevertheless not planets, apparently because they're icy and thus not massive enough to have probably "rounded" themselves gravitationally.

3) The precise defintion of "rounded" is apparently left totally ambiguous. (Is Pallas round? Is Vesta -- which differs mildy but significantly in its axial widths? Is Iapetus round, since it's about 1500 km wide but its axial widths differ by about 50 km? What about Neptune's moon Proteus, which looks like a marshmallow? or 2003 EL61, which is cigar-shaped, as wide as Pluto along its long axis but only half as wide along its shorter ones?

4) Charon is suddenly a "planet" despite the fact that it orbits Pluto (which in itself is defensible given the definition of a "binary planet" as one whose barycenter is beyond the outer surface of either partner), has been called a "moon" for 28 years, and is only about 1000 km across.
You want to know what the reaction of the general public will be to this baffling farrago? Take a look at Kevin Drum's reaction at http://www.washingtonmonthly.com/archives/individual/2006_08/009347.php - and Drum is a highly educated layman. Now consider what Jay Leno's reaction will be, along with that of millions of befuddled children AND their equally befuddled teachers. Astronomers have just shoved a pie in their own faces unequalled since the Hubble Mirror Affair. And it couled have been avoided if the defintion of "planet had instead just been set at some unavoidably) arbitrary but easty-to-remember figure -- such as a maximum-axial diameter of 200 km -- which allowed Pluto in but kept out legions of small and confusing riffraff (while also maintaining the binary-planet concept, for the day when we finally discover a binary KBO whose smallest member has a maximum diameter of over 2000 km).

Confusões
A discussão que actualmente está em curso sobre a nova configuração do sistema solar é interessante, mas a proposta da UAI levanta pelo menos dois tipos de confusão.

1) A súbita mudança do estatuto de Ceres e Caronte, que possuem um estatuto histórico diferente de planeta há muito tempo. A confusão que surgirá daqui será enorme e não será fácil explicar às pessoas porque razão Caronte (que é uma lua de Plutão) é também um planeta. A razão prende-se com o facto do baricentro (centro de massa) dos dois corpos estar fora de Plutão, ao contrário dos outros satélites do sistema solar. Mas acho que isso não devia ser levado em conta e que Caronte devia ser simplesmente um satélite. Quanto a Ceres a mesma coisa. Um corpo que há mais dois séculos é um asteróide, agora muda de estatuto só porque é redondo.

2) O facto de existirem transneptunianos maiores do que Ceres, o caso de Quoar e Sedna, e que não são considerados planetas. É que parece que estes dois corpos não são bem redondos. Mas isto vai obviamente provocar confusão nas pessoas. Além disso, vão ser descobertos muitos transneptunianos de médio tamanho sobre os quais será impossível durante muito tempo dizer se são ou não redondos, por indeterminação da sua massa.

Nota - é interessante verificar como a comunidade científica parece estar preocupada também com a reacção do grande público à notícia. Ou seja, a própria ciência sente a necessidade de se empacotar numa embalagem atraente, sob pena de perder a sua credibilidade e, consequentemente, o financiamento (que nos EUA está fortemente dependente das sondagens e das necessidades de afirmação do povo norte-americano).

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