Segunda-feira, Maio 21, 2012


Aqui fica a versão integral do texto da minha crónica de sexta-feira na Rádio Voz da Ria (por razões de programação a versão emitida era a forma compacta do que aqui está):

Quando o General Franco estava já bastante doente e acamado, um dos seus médicos perguntou-lhe : "Meu general, está o senhor a par do que se passa em Portugal? Não acredita que ali se vai armar uma grande confusão e vai correr muito sangue?" Segundo testemunhos da época, Franco ficou calado durante um bocadinho enquanto todos os médicos o olhavam, expectantes. E em seguida disse: "Não acredite nisso, os portugueses são muito cobardes." E a verdade é que 40 anos de ditadura terminaram sem vítimas.
Esta frase ocorreu-me a propósito do flagelo do inenarrável Acordo Ortográfico de 1990, o maior atentado de sempre à língua portuguesa e auto-estima nacionais, que entre nós se está a implementar de uma forma desmoralizante, insidiosa e que só é possível graças à apatia generalizada.
Em primeiro lugar, estamos perante uma situação absolutamente absurda: Angola e Moçambique ainda não ratificaram o acordo e já anunciaram que não o vão fazer tão cedo. O Brasil ratificou, mas não o cumpre - basta olharmos os sites dos principais jornais e revistas brasileiros para percebermos que nada mudou. Portugal está, pois, a cumprir um acordo que na prática é unilateral e apenas é respeitado pelos próprios portugueses. É um exercício de auto-flagelação absurdo, dispendioso, desnecessário e profundamente lamentável, sobretudo num país tão pouco literado como o nosso. A legalização do analfabetismo não o legitima.
Numa fase em que perdemos a nossa soberania política e económica para a União Europeia e para o FMI, é lamentável que culturalmente alguém esteja a promover outra forma de capitulação - mas de uma forma insolitamente voluntária e a favor de um país, o Brasil, que não aceitou a oferta. Para os brasileiros é totalmente irrelevante a forma como se escreve em Portugal, pois não têm qualquer interesse nessa informação e não estão minimamente dispostos a alterar uma vírgula sequer à sua forma de escrever. A nós, falta-nos em amor próprio o que nos sobra em voluntarismo provinciano. Cumprimos o AO1990 da mesma forma que aderimos ao Euro e a tudo o que sejam imposições normativas envolvendo estrangeiros. Temos medo que pensem mal de nós e gostamos de agradar. Somos o menino que continua a levar a maçã para a professora, mesmo que esta sistematicamente a deite para o lixo logo de seguida.
Como se tudo isto não bastasse, o Acordo Ortográfico de 1990 é, como referiu há poucas semanas o filósofo José Gil, néscio e grosseiro, enfim, algo de perfeitamente absurdo em termos técnicos. E feito com profunda incompetência, acrescento eu.
Com o argumento de que é necessário uniformizar a escrita nos países de língua portuguesa, fez-se precisamente o contrário: sendo verdade que se unificou a grafia de algumas palavras, não é menos verdade que também se criaram novas palavras só para Portugal, permitindo-se que no Brasil estas continuem a ser escritas da mesma forma e desunificando-se o que antes se escrevia da mesma forma! Veja-se o exemplo de "recepção", que no Brasil continua a ser escrita com "p" e em Portugal transformou-se numa irritante e ominipresente recordação da recessão em que vivemos. Hoje em dia é mais fácil e natural ler um texto escrito em português do Brasil do que em "acordês" de Portugal!
Outro argumento que faz perder a paciência a um santo é o do princípio de que "o que não se lê não se escreve", aplicado parcialmente e cheio de excepções, como por exemplo os "h". Tecnicamente a falácia é tal, que se ignorou o facto das consoantes mudas terem também uma função tónica, pois abrem a vogal seguinte. É por isso que temos tendência a ler "recessão" quando alguém escreve "receção", "aspêto" quando se escreve "aspeto" e assim por diante.
Os autores do AO90 foram ainda mais longe e, num inexplicável e absurdo capricho, decidiram ainda suprimir acentos agudos em algumas palavras de tónica grave, introduzindo confusões e criando homografias, das quais a mais estúpida é mesmo da palavra "pára", que passou a ser homógrafa de "para". Alguns hífenes sofreram também com a ira dos acordistas, criando-se casos verdadeiramente absurdos e com impacto no significado das expressões. Veja-se o exemplo de "pequeno-almoço", que ao perder o hífen pode passar a ser confundido com uma refeição leve que ocorra por volta das 12 ou 13 horas...
Tudo isto tem sido aplicado de uma forma completamente anárquica e incoerente, com os diversos órgãos de comunicação social e o próprio Estado a brindarem-nos diariamente com múltiplos exemplos de erros ortográficos (à luz das regras do acordo), estilhaçando a consistência, coerência e sobretudo a estética da língua. É assim que se matam as línguas.
Enfim, poderíamos passar toda uma tarde a compilar o anedotário do AO1990 e certamente que muito ficaria por contar... Despeço-me com mais algumas palavras de José Gil, provavelmente o maior filósofo português vivo, recentemente galardoado com o Prémio Virgílio Ferrreira:
A ortografia é afectiva, polissémica, racional e fugidia, conectiva e disjuntiva (aliterações, ressonâncias, ritmos, cromatismos, etc), indutora de associações com novas palavras e construindo non-sense. Induz um espaço indefinido de criação. (...) Porque contraria este movimento natural da escrita, o Acordo Ortográfico [AO] é néscio e grosseiro. (...) O Acordo mutila o pensamento. A simplificação das palavras, a redução à pura fonética, o "acto" que se torna "ato", tornam simplesmente a língua num veículo transparente de comunicação. Todo o mistério essencial da escrita que lhe vem da opacidade da ortografia, do seu esoterismo, desaparece agora. O fim das consoantes mudas, as mudanças nos hífenes, a eliminação dos acentos, etc, transformam o português numa língua prática, utilitária, manipulável como um utensílio. Como se expusesse todo o seu sentido à superfície da escrita. O AO afecta não só a forma da língua portuguesa, mas o nosso pensamento: com ele seremos levados, imperceptivelmente, a pensar de outro modo, mesmo se, aparentemente, a semântica permanece intacta. É que, além de ser afectiva, a ortografia marca um espaço virtual de pensamento. Com o AO teremos, desse espaço, limites e contornos mais visíveis que serão muros de uma prisão onde os movimentos possíveis da língua empobrecerão. Como numa suave lavagem de cérebro.

follow me on Twitter
Hoje tenho duas coisas para escrever neste blog. A primeira é isto:

...a segunda estará no texto seguinte.

follow me on Twitter

Sexta-feira, Março 09, 2012

Um dos melhores textos sobre o acordo ortográfico, disponível aqui:

O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.

Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum

follow me on Twitter

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2012

Embora nas Filipinas haja cidadãos genuinamente preocupados com o assustador e exponencial aumento da concorrência no mercado da auto-flagelação (e Portugal ataca em várias frentes - Troika, Acordo Ortográfico, André Villas-Boas, Vítor Pereira, Sporting, farmacêuticos em geral e ANF em particular - tudo para garantir que a Grécia não nos voltará a ganhar um troféu), não é disso que hoje venho aqui escrever.
Como todos os maus textos, este começa assim:
É assim: por muito estranho que isso possa parecer (e a mim parece-me), a verdade é que as relações interpessoais e as capacidades sociais são relativamente imunes à pseudo-tribo social em que cada um se enquadra.
Há dias, na fila da caixa do Continente de Coimbra, enquanto fazia de Strogman com 3 pacotes de fraldas em cada braço, vi ao longe a caminhar na minha direcção um casal que parecia ter viajado no tempo, com mais ar de 1993 que a própria proibição da terça-feira de Carnaval. Tinham tudo para ser interessantes e daí o meu "Deus queira que venham para a minha fila". Deus quis.
Ele tinha o cabelo comprido e liso, pelo meio das costas, e uma barba que numa primeira análise me pareceu espigada e que numa segunda avaliação pude perceber que tinha apenas tendência para o encaracolamento. Olhando mais de perto percebi que aquele cabelo não só tinha conhecido o champô há poucas horas, como provavelmente o encontrava todos os dias. Pior, existiam evidentes sinais de uso concomitante de um qualquer amaciador. O cheiro era neutro, a camisa aos quadrados estava em bom estado e os próprios rasgões das calças eram claramente de origem. Estava, portanto, perante um beto com a mania que era um grunge anacrónico, percebi de imediato.
A rapariga deu mais luta. Cabelo cor-de-laranja, esse sim mesmo espigado, olheiras, possível anorexia, calças de ganga elásticas e roupa semi-woodstockiana.
(Acabei de ver o Pedro Nuno Santos na TV - peço desculpa por qualquer impropério que possa surgir nas próximas linhas, mas um gajo não é de ferro, @*!&-@€!)
Mas, dizia eu, ela prometia mais que ele. Havia qualquer coisa de genuíno naquela falta de beleza e na forma aparentemente (e realmente) desordenada com que os brincos haviam sido distribuídos pelo seu corpo. Melhor ainda, tinham ido comprar pão, coca-cola e preservativos.
A coisa começou a dar para o torto quando tocou o telemóvel da rapariga. Simpática, com a voz bem colocada, utilizando frases gramaticalmente correctas e até com algum paternalismo, estava a combinar um jantar com uma amiga. Desligou o aparelho (um smartphone, obviamente) e disse ao acompanhante que os amigos sempre vinham jantar com eles. "Que seca", respondeu ele. E falaram da relação intermitente dos amigos, da neura com que estes iriam estar e do facto de provavelmente terem pela frente uma noite dividida entre a gestão de melindres e a hipotética possibilidade de reatamento do relacionamento. "E eu que hoje queria estudar", acrescentou ela, para me deixar ainda mais deprimido.
Vistos de perto, ambos eram, afinal, insuportavelmente clean. Seria capaz de apostar que nem sequer fumavam tabaco ou bebiam mau vinho.
Felizmente chegou a minha vez. Com as fraldas derrubei-lhes o ridículo cestinho, não pedi desculpa, fiz cara de mau e dei o meu contributo para a felicidade da família Azevedo e dos cidadãos holandeses cujos impostos acabara de financiar. Saí a correr em direcção ao estacionamento, sem por um segundo olhar novamente para trás e para aqueles que em 5 minutos me fizeram perceber que não, não há volta a dar - 1993 foi mesmo há 19 anos. @*!&-@€! (Esta não foi por causa do Pedro Nuno Santos). @*!&-@€! (Esta já foi).

follow me on Twitter
Este post serve apenas para assinalar a saída da TVI24 da minha galeria de heróis. Gaspar "otimista" diz que a economia terá uma "contração" menor que o esperado?! Grunhos!

follow me on Twitter
"Era necessário destruir e humilhar o chico-espertismo, a preparação de algibeira, o carreirismo saloio, a pose enfadada e vazia, a cultura de reader's digest e a idiotice voluntarista de José Sócrates? Era imperioso. Mudámos para pior? Com certeza que sim; para muito significativamente pior. Valeu a pena? Só falo sobre futebol."

(Infelizmente este texto não é meu, mas sim do maradona (com minúscula))

follow me on Twitter

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

Nas últimas eleições presidenciais portuguesas aconteceu tudo a Cavaco Silva: um escândalo de escutas (liguem o oráculo e perguntem a Richard Nixon o que ele pensava sobre isso), um escândalo económico (BPN, SLN, estrelas do cavaquismo em posições muito incómodas e o próprio candidato a comprar e vender acções a Oliveira Costa) e a revelação de valores de enriquecimento muito acima do que seria de esperar de um simples funcionário público (650 mil euros no banco, grosso modo).
Mesmo assim os resultados foram o que se sabe.
Nos EUA as coisas felizmente não são assim - vejam o que aconteceu quando se soube que Romney só pagou 15% de impostos por 42 milhões de dólares de rendimento, enquanto Gingrich pagou 30% por "apenas" 1 milhão. Faltam-nos provavelmente mais 150 ou 200 anos de democracia para percebermos isto:
(copy-paste do Facebook do Fareed Zakaria - vejam também este texto)

follow me on Twitter

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

A principal vantagem da existência de João Galamba é que nos permite conhecer todas as posições políticas e o seu contrário de uma forma quase instantânea, como se de um Kama-sutra político de bolso se tratasse. Este facto, por si só, não constituiria qualquer novidade no nosso panorama político, não fosse a curiosidade do envolvido ter aparentemente noção da tortuosidade e inconsistência dos seus argumentos. E daí que, a par desta universalidade de posições sobre a política financeira do governo, Galamba se tenha convertido também numa espécie de Shakira do argumentário blogosférico, capaz dos mais improváveis contorcionismos para sustentar e arguir uma coerência que apenas se vislumbraria com estes esclarecimentos. É neste último contexto que surgiram primeiro estes textos (aqui e aqui), na altura para fugir ao destapar de careca público e paternalista de Carlos Costa e que anteontem surgiu mais esta pérola, escrita mais uma vez em socorro da pata que poucas horas antes havia regressado à poça.
O lado divertido de João Galamba é que de facto há poucos políticos tão auto-suficientes e que possam assumir sozinhos as posições iniciais, as respectivas explicações e os desmentidos que delas decorrem. Consta que o próprio Legendary Tiger Man estará preocupado com este inesperado despertar da concorrência no mercado das "one man bands".
PS - o mesmo Galamba que há cerca de um mês clamava contra a austeridade excessiva e a folga do défice é agora quem defende que o negócio dos fundos de pensões é ruinoso para o Estado e por isso vai motivar novas medidas de austeridade... além das que em Dezembro não seriam necessárias.

follow me on Twitter

Terça-feira, Janeiro 10, 2012

Bem sei que escrever isto menos de uma hora após o fim de um jogo do Real Madrid é mais ou menos o mesmo que abrir a boca de sono depois de ler uma lista de compras escrita pelo Dalí. Ainda assim, tenho que referir, isto é, parece-me importante frisar, salientar ou até mesmo reforçar que há já algum tempo que não escrevia um texto sobre nada. Aliás, minto: há já algum tempo que não escrevia um texto tão assumidamente sobre nada. Estamos, é óbvio, perante a mais recente e palpável consequência do facto da minha tese de doutoramento estar, aparentemente, a regressar à superfície da Terra, depois de mais ou menos seis meses literalmente imersa em cocó e xixi nem sempre bem enfraldados.
Dito isto, e porque nem só de pão vive o homem, pareceu-me importante escrever "Stallone Cobra" no Google Imagens. O resultado mais relevante é este:


follow me on Twitter

Domingo, Janeiro 08, 2012

E eis que alguém demonstra publicamente e de forma inequívoca porque é que o argumento da neutralidade fiscal é uma treta. Ao que parece, as transferências a partir da Holanda para paraísos fiscais não são tributadas, ao contrário do que sucederia a partir de Portugal. É profundamente lamentável a impreparação dos que em Portugal têm por função perceber a racionalidade económica destas questões - o nosso jornalismo especializado em Economia é subserviente, pouco diferenciado tecnicamente e ideologicamente contaminado. Não há em Portugal um verdadeiro escrutínio público da actividade dos agentes económicos.

PS1 - Ideologicamente sou muito mais favorável a políticas de liberalismo fiscal do que ao que se faz por cá. Eu sou dos que acham que a Holanda é que tem razão.
PS 2 - Soares dos Santos, esse, continua a saltitar de argumento em argumento e a tentar dar baile aos que ainda o ouvem.

follow me on Twitter

Sábado, Janeiro 07, 2012

A decisão da família Soares dos Santos é provavelmente óbvia do ponto de vista empresarial e natural num contexto de economia global. O problema é que veio num timing péssimo e a partir de alguém que prega publicamente um moralismo que hoje sabemos ser profundamente hipócrita.

Pior que quaisquer argumentos de ordem económica, fiscal ou de fuga à responsabilidade social que possam existir na questão-Jerónimo Martins, o que verdadeiramente chateia é esta sensação de ratos a abandonar o navio. 
A atitude das grandes superfícies comerciais com os seus empregados e fornecedores é conhecida desde há muito e profundamente lamentável. No entanto, quando os vemos a cuspir no mesmo prato, perdão, no mesmo país, que sempre os alimentou não podemos deixar de nos indignar. Soares dos Santos teve apenas o azar de ser o exemplar que estava mais à mão numa fase em que as pessoas estão um pouco mais irritadas. Porque na verdade todos os outros que fazem o mesmo merecem igual indignação.

PS1 - Numa perspectiva um pouco mais séria, há que questionar a eficácia da nossa política fiscal. Se é "fiscalmente neutro" viver-se em Portugal ou na Holanda, então porque é que alguma empresa haveria de vir ou ficar por cá, dada a instabilidade actualmente existente? 
PS2 - Embora seja a esquerda quem mais se indignou com a mudança da JM, na verdade este é um caso que deveria preocupar especialmente a direita que defende um menor peso do Estado e uma política fiscal mais leve e competitiva.
PS3 e conclusão: o povo está certo na indignação, mas errado quanto aos motivos que a justificam.

follow me on Twitter

Quarta-feira, Janeiro 04, 2012

Acordês 

O que é de mais já enjoa e de facto não posso deixar de reconhecer que me tenho comportado como um verdadeiro e hermético emético. Ainda assim, não há verdadeiramente um limite para a minha capacidade e/ou vontade de escarnecer do Acordo Ortográfico, quer dizer, do acordo ortográfico, e por isso, enquanto for eu quem manda neste blogue, este é e será o tema do momento. Mesmo que os meus textos não sejam lidos por mais ninguém que não eu próprio - o que provavelmente até já acontece.
Tudo isto a propósito do novo fenómeno que grassa na comunicação social portuguesa: o aparecimento de pessoas tão pró-AO, tão pró-AO, que cometem erros ortográficos abrasileirando palavras que nem o próprio Brasil ou o AO têm coragem de abrasileirar.
De facto, nos últimos dias temos assistido à publicação (sobretudo pela RTP, há que reconhecer) de títulos ou segmentos de texto com palavras como "caraterizar" (caracterizar), "fato" (facto), "expetável" (expectável), "inteletual" (intelectual) etc., numa autêntica caça aos cês escondidos atrás de tês, num fervor catanístico que não deixa escapar um único destes exemplares.
Assim, como se não bastasse a cretinice intrínseca de se criarem palavras que antes do AO não existiam em qualquer país ou dialecto conhecido - a minha preferida é a "receção" (recepção), dada a analogia fonética com o clima económico -, não só prescindindo da unificação da respectiva grafia (abdicando desse modo da única vantagem imaginável do AO e do único argumento intelectualmente honesto que poderia sustentar a criação do AO), como promovendo o aparecimento de grafias duplas para palavras que não a tinham, chegámos agora ao absurdo do actual português do Brasil ser mais próximo do anterior português de Portugal do que esta insólita versão pós-AO.
De facto, hoje em dia é menos agoniante ler um texto escrito no Brasil (onde, by the way, ninguém respeita o AO) que em acordês. É aliás curioso verificar como o Brasil e os países da África lusófona (que felizmente também se estão nas tintas para o AO) são o último reduto da língua portuguesa escrita com personalidade, respeito pela respectiva história (que nesses locais tem naturalmente nuances regionais) e pela etimologia das palavras.
Numa fase da história em que Portugal foi obrigado a abdicar da soberania económica e administrativa, é absolutamente estúpido (e profundamente deprimente) que voluntariamente tenhamos desistido da nossa própria língua.

follow me on Twitter

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

E quando se pensava que o Acordo Ortográfico não poderia ser mais estúpido, eis uma novidade: a palavra "receptividade" continua a escrever-se desta forma no Brasil, mas muda para "recetividade" em Portugal e nos países africanos!!!!!
Haverá limites para a imbecilidade humana? Aparentemente não, como o prova diariamente o AO, perdão, o hin-hon.

follow me on Twitter

Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

Gosto sempre de voltar a este tema sem recorrer à Wikipedia. Então é assim: 
  1. Todos sabemos que a noção de zero começou apenas algures na Idade Média, o que faz com que na verdade Jesus Cristo tenha nascido em 1;
  2. Ou seja, se fosse vivo, Jesus Cristo teria feito ontem 2010 anos;
  3. Este pormenor, que não é irrelevante, remete-nos para duas questões:
    1. Se se indexou o calendário em que vivemos ao nascimento de Cristo, não seria mais correcto que se considerasse o dia do seu nascimento como o primeiro do ano? Isto é, não deveriam os anos começar a 25 de Dezembro e não a 1 de Janeiro (e nesse caso estaríamos já no dia 26 de Dezembro de 2012, o verdadeiro segundo dia do ano)? 
    2. Enfim, assumindo que as coisas foram tão mal feitas como aparentemente parece que foram, resta-nos saber verdadeiramente quando é que nasceu Cristo: a 25 de Dezembro de 1 DC (o que faria com que 359 dos 365 dias do primeiro ano DC - 98,3%! - fossem na verdade passados AC. Isto é, Maria ainda nem sequer estava grávida e já a humanidade vivia o seu primeiro ano DC!) ou a 25 de Dezembro de 1AC, iniciando-se a contagem dos anos DC 6 dias mais tarde (o que originaria a situação absurda de Jesus Cristo viver os seus primeiros 6 dias... antes de Cristo)? 
    3. Haverá ainda uma terceira hipótese, que é a de algures no tempo ter havido um reajustamento de 6 dias ao calendário, passando-se a chamar 25 de Dezembro ao dia 1 de Janeiro original - mas nesse caso o verdadeiro aniversário de Jesus Cristo teria sido a 19 de Dezembro!
Enfim, aguardam-se esclarecimentos de leitores mais inteligentes que este blogger... e, por mera precaução, boas entradas a todos!

follow me on Twitter

Domingo, Dezembro 11, 2011

Nem de propósito, imediatamente após ter escrito o texto anterior li este comentário de Filipe Luís, na Visão (apesar do Acordo Ortográfico, julgo que o texto é perceptível):

O Quarto Reich

A guerra pode ter já recomeçado

Filipe Luís
8:55 Quarta feira, 5 de Out de 2011
Partilhe este artigo:
 1623  27 
 
 
A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes. Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compaghon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria diretamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados. 
As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha - algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho.
Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado "O protocolo Budapeste". No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto diretório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o diretório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas - presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia. 
Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas" - palavras de Giscard d'Estaing, redator do projeto de Constituição europeia. 
É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.


follow me on Twitter
Europa, 1938

Quando eu era muito, muito pequenino, um dos meus primeiros professores de História começou a primeira aula do ano lectivo a perguntar à barulhenta sala de aulas as razões pelas quais os alunos achavam que existia a disciplina de História. Desconcertados, os jovens estudantes calaram-se, pensaram um pouco e sugeriram várias hipóteses, todas rejeitadas pelo dito professor. A resposta era, afinal, só uma: "para aprendermos com os nossos erros". A turma estranhou, encolheu os ombros e 10 segundos depois reiniciou-se a algazarra. Ninguém ligou nada ao assunto e o próprio nome do professor perdeu-se nas areias do tempo.
Vinte e quatro anos mais tarde, um dos alunos presentes nessa sala (o que tem um blog) lembrou-se dessa frase quando recebeu as notícias da vergonhosa cimeira europeia, perdão, franco-alemã, desta semana. E ficou a pensar que, pelo menos em Inglaterra, a possibilidade de reencarnação de Lord Chamberlain é algo de pouco provável. Já a de Pétain está aí e recomenda-se, na melhor tradição servilista centro-europeia.
Acima de tudo, é difícil entender como foi possível a implementação e dominância do pensamento moralista alemão (o francês é simplesmente a versão oportunista e espelhada deste) junto de 24 outros países, 22 dos quais democracias em pleno funcionamento (obviamente que Grécia e Itália são as Checoslováquias, perdão, excepções à regra). Merkel e Sarkozy simplesmente convenceram 22 chefes de estado a trocarem as suas regras por nada.
Hoje custa a perceber como foi possível a cimeira de Munique e por isso nada como recordar o célebre discurso de Neville Chamberlain proferido a 30 de Setembro de 1938, em que este ao regressar ao Reino Unido anunciava ter celebrado com Adolf Hitler um acordo para que ambos os países não mais voltassem a entrar em guerra. Este acordo, acreditava Chamberlain, seria suficiente para assegurar "peace in our time". No dia seguinte os alemães invadiram a região dos Sudetas, na Checoslováquia.


follow me on Twitter

Quinta-feira, Dezembro 08, 2011

O Prof. Pedro Pita Barros escreveu este texto nos seus Momentos Económicos:


Há dias, em conversa com um dos meus colegas que mais tem olhado para a situação macroeconómica portuguesa, Francesco Franco, e que tem contribuído para a discussão através do blog The Portuguese Economy, chamou-me a atenção para um artigo de Guido Tabellini, um dos economistas italianos mais importantes, em que refere o seguinte:
“At the time of writing, last week’s auction of German government bonds remains unsold. This is the latest confirmation of what is now widespread distrust. Yet, paradoxically, this could also help to unblock the situation, for two reasons:
  1. First, it has made clear to everyone that, despite its rhetoric, theBundesbank actually continues to act as lender of last resort, at least temporarily, to the German state. The securities that remained unsold at the auction were absorbed by the Bundesbank, which has always played this role to ensure the liquidity of German securities.
  2. Second, this event could bring forward the point where even the ECB is convinced that financial stability comes before price stability. If the German central bank is forced to keep unsold debt on the balance sheet of its state, it means that it is time for a change in monetary policy. Not only cutting interest rates more decisively, but facilitating the purchase of government bonds in a policy of quantitative easing similar to that adopted long ago by the US Federal Reserve to support the economy and provide liquidity.”
o artigo completo pode ser lido aqui.
Não devemos menosprezar a importância do que aqui está dito:
1. A Alemanha já tem um mecanismo que cumpre o papel que a própria Alemanha não quer dar a potenciais instrumentos para toda a zona euro – “lender of last resort” – seja através do BCE ou de outra forma.
2. Se a Alemanha tem este mecanismo, nada impede que os outros países o possam simplesmente replicar, e assim toda a zona euro poderá beneficiar de uma das medidas apontadas como sendo necessárias – um “lender of last resort” que actua através do banco central de cada país absorvendo a dívida que não for colocada à taxa de juro pretendida.
3. Não deixa de ser surpresa como esta característica tem passado despercebida na discussão europeia, revelando falta de análise técnica e excesso de preocupação política. Pelos vistos, as soluções até já estavam a ser usadas desde há algum tempo pelo banco central alemão. O que tem impedido os outros países de copiar, simplesmente copiar, o esquema alemão?
4. A existência deste mecanismo alemão (é bom repetir que é alemão) mostra, por preferência revelada, a importância da estabilidade financeira, e será que a Alemanha quer pedir ao ECB e aos outros bancos centrais que tenham um comportamento diferente do que ela própria adopta na condução da sua política macroeconómica.
Não sendo especialista de Macroeconomia, pode-me estar a falhar aqui algum aspecto essencial, e por isso seria interessante que este ponto levantado por Tabellini merecesse atenção e discussão, por académicos, mas também por quem tem a condução da política económica em Portugal.
(post gémeo com No Reino da Dinamarca)
Eu comentei assim:

Será que por exemplo o BdP teria liquidez para poder ser “lender of last resort”?
No fundo, a questão é que o Banco Central Alemão provavelmente consegue ir ao mercado com taxas de juro de 1% (ou algo do género) ou então tem reservas de uma dimensão incomparável com as dos outros países… e aí é fácil ser “lender of last resort”
A questão principal, sobre a qual escrevi pela primeira vez em Novembro de 2010 (quando os juros portugueses atingiram uns na altura impensáveis 6,3% ), é o que é referido na parte final do texto: este mesmo problema já aconteceu aos EUA há algum tempo (e mesmo antes da crise o Fed – ainda na governação de Greenspan – inteligentemente teve capacidade de o prevenir) e na Europa decidimos não imitar uma solução que provou resultar. Porquê? Simplesmente porque na Europa não há qualquer sentimento de solidariedade entre países e o Euro não é a moeda dos 17, mas sim uma moeda franco-alemã que estes países decidiram partilhar com 15 trouxas para ganhar escala face ao dólar.
Ou seja, para que o problema do Euro se resolva (e a solução é óbvia – emissão de moeda e garantia ilimitada do BCE sobre as dívidas públicas da zona Euro) é necessário que os únicos verdadeiros membros da zona Euro (leia-se, França e Alemanha) tenham problemas. O que, felizmente, já está a começar a acontecer.
Bottom line, esta ainda não parece ser uma questão técnica do ponto de vista macroeconómico, mas apenas um problema político que resulta duma retorcida interpretação geoestratégica do eixo Paris-Berlim, que a determinada altura precisou de uma ferramenta para de alguma forma condicionar Washington, Londres, Moscovo e Pequim. Essa ferramenta chama-se Euro e um dia destes vai acabar. Como moeda ou como ferramenta, é o que falta perceber.

follow me on Twitter

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

Se todos comermos alho já ninguém cheira a alho

Ao confundir capital com liquidez, António José Seguro protagonizou um dos mais constrangedores momentos políticos dos últimos dias. Infelizmente a maioria dos jornalistas que escrevem na imprensa portuguesa (mesmo na especializada em Economia!) está a dormir ou partilha da mesma iliteracia.


follow me on Twitter

Terça-feira, Novembro 15, 2011

O Prós e Contras de ontem (que só consegui ver parcialmente) foi um penoso exercício de auto-flagelação. O bastonário da Ordem dos Médicos (BOM) expôs-se numa guerra que não poderia ganhar e da qual só poderia sair ferido. Mostrou falta de solidez científica, alguma desonestidade intelectual e não conseguiu descolar da imagem de associação aos interesses da indústria farmacêutica (IF). O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (BOF) aproveitou o tempo de antena para reivindicar uma medida que quando for aplicada será economicamente ruinosa para as farmácias, mostrou falta de urbanidade na forma pouco educada como conduziu o debate e reduziu os farmacêuticos, mais uma vez, a um grupo de profissionais essencialmente orientados para o lucro (pois todos sabem que os genéricos proporcionam margens muito superiores às dos restantes medicamentos - e a possibilidade de escolher o genérico ainda aumenta mais essa possibilidade).
No fundo, o BOM e o BOF perderam uma excelente oportunidade para estarem calados. Aliás, basta um olhar rápido pelo Facebook do Prós e Contras para perceber que, com a excepção dos comentários clubísticos, há um sentimento quase unânime de reprovação do triste espectáculo de ontem.
Ainda está para chegar o primeiro debate sobre genéricos que não me deixa irritado. Há apenas uma questão de base e à qual ainda ninguém me deu uma boa resposta: faz algum sentido exigirmos à IF níveis de rigor e modernização tecnológica elevadíssimos para no final dizermos que uma variação de 80% a 125% é perfeitamente aceitável e clinicamente irrelevante? Mesmo que o seja, não faz.

follow me on Twitter

This page is powered by Blogger. Isn't yours?