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sábado, agosto 27, 2011

Embora neste momento "O Efervescente" esteja reduzido a uma caricatura (em marca de água) do que já foi, não posso deixar de analisar dois títulos que saíram recentemente no "i" (Farmácias em colapso. 20% sem dinheiro para repor stocks e Farmácias hospitalares em falência).
De facto, aqueles que me liam no tempo em que as opiniões profundas e devidamente fundamentadas não tinham ainda sido substituídas por esparsos pedacinhos de diarreia mental a cheirar a cocó de bebé sabem que em devido tempo (desde 2005, essencialmente) alertei para a inevitabilidade do cenário que agora se vive. Contudo, neste momento a capitalização das minhas qualidades zandinguísticas e o espancamento do ceguinho são menos importantes que as explicações que se seguem, algumas as quais cortadas e coladas de missas que já venho rezando desde 2007:

  1. Tudo isto acontece porque o modelo farmacêutico português não tem viabilidade intrínseca: ao contrário das ideias que alguns tentaram fazer passar (com "estudos" científicos não escrutinados academicamente), a sociedade não reconhece ao papel do farmacêutico uma importância que valha cerca de 25% do PVP (sem IVA) dos medicamentos. E portanto quando é necessário cortar em algum lado, nada como iniciar essa tarefa pelas gorduras menos apetecíveis, deixando as greves de médicos e enfermeiros para segundas núpcias;
  2. Esta é uma questão que não se resolve com facilidade e que tem raízes muito mais profundas do que à primeira vista se possa pensar. Em primeiro lugar, a questão da necessidade: será que os farmacêuticos servem mesmo para alguma coisa? É que neste momento, pelo menos na dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica, o seu papel pouco excede o de máquinas de vending de bata branca. A resposta é sim, claro que sim. É fundamental e verdadeiramente urgente a intervenção farmacêutica em áreas como a monitorização fármacoterapêutica dos doentes, verificação de interacções medicamentosas (no mesmo acto de prescrição, após consultas com médicos diferentes ou após a aquisição de medicamentos de venda livre), farmacovigilância, aconselhamento, participação em programas de saúde preventiva, promoção de terapêuticas medicamentosas custo-efectivas, lançamento de programas de cuidados farmacêuticos (como os que já existem para a asma e diabetes, por exemplo) e interligação com outros profissionais de saúde em termos de prestação de informação técnica especializada, acompanhamento de doentes (garantindo aspectos tão básicos e essenciais como a concordância e adesão à terapêutica através da disponibilização em permanência de ajuda especializada), gestão do risco clínico, renovação de receituário e revisão de medicação. Estas são, todas elas, áreas complexas e que actualmente estão a ser descuradas pelas farmácias e pelos farmacêuticos, não por falta de profissionalismo ou desconhecimento da realidade, mas simplesmente porque a pressão económica sobre as farmácias e a própria arquitectura do SNS não o permitem;
  3. Acresce referir que estão por contabilizar os custos associados às ineficiências causadas pela inexistência das medidas acima referidas e que seguramente ultrapassarão (em internamentos hospitalares, consumo de MCDTs e... novas aquisições de medicamentos!) largamente eventuais poupanças conseguidas pelo subfinanciamento de serviços farmacêuticos;
  4. As farmácias não são consideradas parte da rede de cuidados de saúde primários. Os farmacêuticos e médicos dos centros de saúde não se falam e desenvolveram relações de rivalidade e em certos casos mesmo completa aversão. Falta ao SNS uma cultura de colaboração conjunta e interligação entre os vários profissionais de saúde. As dificuldades de comunicação existentes limitam os benefícios de algumas iniciativas e são altamente prejudiciais aos doentes, quer em termos de saúde, quer sob o ponto de vista económico. Actualmente as equipas clínicas que actuam no SNS acabam por funcionar numa lógica de acumulação sequencial de actos individuais e não num contexto de decisão integrada e multidisciplinar. A falta de comunicação entre profissionais conduziu a uma segmentação do conhecimento e da respectiva intervenção, que em nada beneficia o doente, não contribui para optimizar recursos e até é susceptível de originar erros de medicação;
  5. As farmácias evoluíram num sentido perigoso e que em nada contribui para resolver este problema, antes pelo contrário. Os novos mini-mercados de saúde onde se faz um PSA, arranjam-se as unhas, experimentam-se sombras para os olhos, compram-se brinquedos de criança, sapatos ortopédicos e pulseiras electromagnéticas anti-stress servem para descredibilizar as instituições, consomem tempo a profissionais altamente qualificados e contribuem para que a percepção geral seja de que "se as farmácias já ganham dinheiro com tanta coisa, para quê continuar a existir uma margem na venda de medicamentos?";
  6. Por último, as faculdades de farmácia e a Ordem dos Farmacêuticos têm tido um papel absolutamente lamentável em todo este processo, negligenciando a criação de massa crítica e a inovação de novos modelos para a prestação de serviços farmacêuticos e aparecendo na praça pública apenas a defender interesses corporativistas e pouco aceitáveis aos olhos do resto da sociedade.
Os farmacêuticos são hoje uma profissão em vias de extinção. Se nada se fizer, no dia 27 de Agosto de 2021 estarei aqui mais uma vez a dizer "eu não disse?". 
A solução para inverter este caminho passa pela completa refundação do modelo farmacêutico português e pela demonstração ao governo das enormíssimas potencialidades económicas das alternativas. Os farmacêuticos devem ser pagos ao acto e não em função da margem de lucro. Devem existir prémios indexados a quotas orçamentais de poupança e monitorização efectiva de todo o processo. Imaginem o que seria a rede nacional de cuidados de saúde primários se lhe acrescentássemos 3000 entidades cuja função essencial fosse lutar pela adopção de medidas mais custo-efectivas!
As farmácias e os farmacêuticos são neste momento o maior desperdício do SNS, que financia todo um sector cujas capacidades seguidamente ignora.

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terça-feira, maio 03, 2011

It's the end of the world as we know it...

Para quem não gosta de REM, aqui fica a explicação. A notícia saiu aqui:
FMI quer preços dos remédios 6% mais baixos | Económico
...e a reacção angustiada aqui:
http://economico.sapo.pt/noticias/nao-pode-ser-a-troika-a-governar-portugal_117164.html
Os primeiros foguetes já soaram aqui,  na caixa de comentários deste texto e um pouco por toda a blogosfera e redes sociais.
A ser verdade, esta medida representa uma redução de 30% das margens das farmácias (isto depois das múltiplas reduções ocorridas nos últimos anos e da mais que previsível entrada em vigor da DCI) - em termos práticos, é o fim do modelo farmacêutico português, pois será inevitável a falência de algumas farmácias e cadeias de distribuição de medicamentos, desencadeando-se um efeito de bola de neve que desencadeará ainda mais falências (uma vez que é a distribuição quem efectivamente financia grande parte do sector).
A ANF não terá, em princípio, capacidade para assegurar muito mais financiamento do que aquele que já está a ser garantido - e perante a capitulação de alguns associados, os atrasos de pagamento do Estado e os inevitáveis efeitos destes fenómenos na Alliance Healthcare, a ANF estará igualmente exposta a um risco enorme. E se a ANF cair, cairá também o financiamento bancário para garantir a comparticipação de medicamentos.
Por paradoxal que pareça, só com a liberalização da instalação de farmácias será possível assegurar a viabilidade económica do sector... o FMI já a fez na Grécia e provavelmente vai repetir a receita em Portugal. É absolutamente inevitável, pois só as grandes cadeias poderão sobreviver com margens tão curtas e redes próprias de distribuição.
Uma coisa é certa: se esta medida avançar nada ficará como antes - e estou convencido de que no dia 3 de Maio de 2013 estarei aqui a confirmar que em Portugal existirão 3 grandes cadeias de farmácias, que dominarão mais de 90% do mercado. É para estes exercícios de Zandinguismo que serve a blogosfera!

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sexta-feira, agosto 27, 2010

Há muitos, muitos anos, era eu um estagiário de farmácia hospitalar com cerca de uma semana de experiência no cargo quando me incumbiram de fazer uma tarefa que em condições normais demoraria cerca de 3 horas a concluir. O problema é que faltavam 10 minutos para o fim do dia de trabalho... Acresce referir que este pedido surgiu na sequência de um momento em que o chefe tentou fazer humor às minhas custas e acabou por obter precisamente o efeito inverso, com uma sala cheia de subordinados a sorrirem com a minha resposta a uma pequena provocação... Enfim, nada que não fizesse todo o sentido aos 23 anos!
Não querendo dar parte de fraco, pus mãos à obra e comecei a trabalhar, decidido a não deixar o trabalho inacabado. Foi nessa altura que uma das técnicas, vendo o meu ar de irritado/infeliz/este-gajo-vai-ter-a-resposta-que-merece, teve pena de mim e ficou a ajudar-me a concluir as tarefas, o que só aconteceu 2 horas depois da hora de saída, algo de verdadeiramente impensável naquele hospital público.

O dia seguinte começou de forma bastante agradável - o chefe, surpreendido com o facto da tarefa ter sido concluída a tempo, encolheu os ombros, grunhiu e virou-me costas, dando início às 5 semanas menos produtivas da minha vida profissional e a um braço de ferro de contornos absolutamente tragicómicos, de que um dia certamente voltarei a falar...
A técnica que me ajudou teve menos sorte: encontrei-a a chorar, depois de ter sido insultada e ostracizada por todos os outros técnicos, que a acusaram de estar a "fazer de criada do doutorzinho" e de lhe terem dito que "se eles de habituam qualquer dia temos todos que ficar a trabalhar depois da hora".
As razões que me fizeram recordar esta história são óbvias para quem leu a notícia de hoje do Público e ajudam-nos a todos a recordar este portuguesíssimo culto da preguiça, agora pelos vistos escudado pelos altos representantes do interesse público e que tão activamente lutam pela defesa "da concorrência" entre os "retalhistas" do sector...

Infarmed muda de ideias depois de queixa de farmácias da ANF

Farmácia impedida de continuar aberta 24 horas por dia

Nota: é altamente duvidoso que o Infamed tenha legitimidade formal para tomar a decisão que tomou, uma vez que a lei parece ser clara na atribuição da responsabilidade às autarquias e que não estão em causa aspectos técnicos. Por outro lado, é igualmente muito improvável que a Farmácia em causa não tenha razão, dados os factos de ter autorização de quem efectivamente tem competências para regular este aspecto (as autarquias) e o óbvio interesse público da expansão do horário das farmácias. Por último, é interessante ver o contraste entre o voluntarismo do Infarmed, cujo incansável nariz enfrenta até os mais intrincados labirintos jurídicos e a AdC, outrora baluarte da defesa da concorrência no sector farmacêutico e agora em provável gozo de um merecido repouso estival, depois de mais um ano de incansável irrelevância...!

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sexta-feira, outubro 23, 2009

Acabou o pesadelo na Ordem dos Farmacêuticos e Maurício Barbosa sucede a Irene Silveira.
Pelo meio ficou um mandato absolutamente caótico e que teve o merecido castigo nas urnas (com mais de 20% de diferença). Agora é tempo de pôr a casa em Ordem e varrer os cacos.
Hão-de passar muitos anos até que os farmacêuticos percebam como é que foi possível acontecer o que se passou nos últimos dois anos. A investigação exaustiva das responsabilidades pelo sucedido é uma das primeiras obrigações do novo Bastonário.

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quinta-feira, julho 09, 2009

O princípio do fim

A criação da "especialidade" em farmácia de oficina é um perfeito disparate e retira toda a credibilidade à Ordem dos Farmacêuticos enquanto garante da qualidade profissional dos seus membros.
É um erro histórico e que provavelmente estará na génese do fim da figura do farmacêutico enquanto especialista em áreas profissionalmente diferenciadas.
A partir de agora qualquer verdadeiro especialista (em Análises Clínicas, Farmácia Hospitalar ou Indústria) pela OF será visto apenas como alguém a quem foi concedido um penacho administrativo - e as consequências disto serão óbvias: os títulos de "especialista" concedidos pela OF serão apenas para consumo interno e a sociedade e o próprio Estado deixarão de reconhecer a capacidade da OF para garantir a qualidade do exercício profissional. Como última decorrência deste facto deixaremos provavelmente de ter farmacêuticos como Directores Técnicos de laboratórios de análises e a farmácia hospitalar ficará definitivamente entregue a gestores indiferenciados.
Ironicamente, este acto catastrófico para a profissão farmacêutica foi promovido por uma Direcção da OF que funciona sem quórum, está demissionária há meses e foi destituída em Assembleia Geral antes de tomar esta medida...!!!

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terça-feira, abril 07, 2009

"A ANF aproveita a oportunidade para confirmar que, desde que a iniciativa arrancou, os doentes portugueses já pouparam 101 milhares de euros e o Serviço Nacional de Saúde 86 milhares de euros, totalizando a poupança 187 milhares de euros em apenas 5 dias"
(comunicado da ANF)
"O bastonário da Ordem dos Médicos afirmou, esta terça-feira, que a troca de medicamentos prescritos pelo médicos por genéricos é uma «guerra económica» que envolve o monopólio das farmácias, os fabricantes dos medicamentos e o Governo."
(IOL Diário)

A primeira nota verdadeiramente original a registar neste debate é a opção da ANF pela palavra "milhares" em detrimento de "mil" - se dissermos a frase muito depressa ou se lermos a notícia na diagonal, facilmente o número ganhará mais 3 zeros e estaremos já a discutir milhões :)
Depois de uma reacção inicial um pouco trapalhona, Pedro Nunes afinou o diapasão e centrou a discussão no ponto que mais interessa à OM (e, paradoxalmente, também à própria ANF): esta é de facto, tão só e apenas, uma guerra económica (claro que há também aqui um problemazito de soberania perante um caso de desobediência civil a uma lei da nação, mas isso agora não interessa nada).
Não gosto de medicamentos genéricos. Acho-os muito mais uma operação comercial do que ciência e, como tal, considero que a respectiva utilização é uma questão meramente administrativa e, como tal, menor e essencialmente dependente dos humores dos legisladores e administradores de serviços de saúde.
De facto, em termos técnicos todos sabemos que a bioequivalência entre dois medicamentos é determinada com base em dois parâmetros farmacocinéticos: a área sob a curva concentração-tempo (AUC) e a concentração plasmática máxima. Considera-se que existe bioequivalência quando o intervalo de confiança a 90% da razão entre o genérico e o medicamento de referência para a AUC e para a Cmax estão dentro de um intervalo 80 a 125%. Este critério é usado praticamente em todo o mundo e não há verdadeiramente quem o conteste sob o ponto de vista técnico.
Aliás, este limite de 80 a 125% é o mesmo a que o fabricante da molécula original deve obedecer, por comparação com o medicamento usado nos ensaios clínicos. Ou seja, na prática mesmo os medicamentos originais são na realidade "genéricos" dos que foram utilizados em ensaios clínicos.
Em Portugal e no resto do mundo a forma como circulam os genéricos é uma autêntica bandalheira: há princípios activos para os quais existem mais de 150 apresentações diferentes, há marcas de genéricos que subcontratam o fabrico a várias fábricas diferentes (em Portugal e no estrangeiro), há genéricos feitos na mesma fábrica que medicamentos de marca e comercializados pelas mesmas empresas que fabricam os originais (e que desse modo concorrem contra si próprias), há genéricos feitos sabe-se lá como na Índia, etc.
Hoje em dia a típica empresa de genéricos consiste num escritório, com um computador em cima da mesa, onde um indivíduo de meia idade, óculos e cabelo grisalho faz meia dúzia de telefonemas a pedir orçamentos a diferentes fábricas para produzir as AIMs que adquiriu a alguém. Os medicamentos são fabricados por quem der o melhor preço e depois são os delegados de propaganda médica quem no terreno trava as batalhas pela prescrição. E é aqui que está o busílis da questão: como as margens são bastante grandes, entra-se numa luta pelo controlo do ponto de decisão entre as diferentes marcas - com a interessante nuance de que os bónus dados aos farmacêuticos são bastante mais caros que os oferecidos aos médicos... :)
E desta forma se compreendem todas as posições tornadas públicas recentemente: a ANF procura verticalizar o sector antes de lançar a sua linha de genéricos; a OM tenta segurar o que pode; o governo em ano de eleições e de crise não pode nem chatear os médicos, nem pôr os utentes a pagar mais; a indústria não gosta de perder o controlo da situação.
Da minha parte estou-me nas tintas: estamos no ano de dois milhares e nove e já deveríamos ter maturidade suficiente para reduzir isto tudo ao essencial - prescrição por DCI, tal como nos hospitais e na maioria dos países civilizados. Não é decente a existência de barreiras administrativas ao consumo de medicamentos mais baratos!

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quarta-feira, dezembro 17, 2008

Estou há demasiado tempo sem escrever neste blogue. É espantoso verificar que já passaram 20 dias desde a minha última intervenção e que pelo meio foram muitas as ocasiões comentáveis desperdiçadas.
Regresso apenas para uma pequena nota: há um blogue anónimo que tem divulgado na praça pública várias situações absolutamente vergonhosas que se têm passado na Ordem dos Farmacêuticos. Não conheço os autores do blogue, de cuja existência apenas soube por um amigo que me ligou há dias. Nem sequer tiveram a decência de me incluir na mailing list anónima que divulgou o respectivo início de actividades....!
Contudo, nos últimos dias alguém fez-se passar por mim na secção de comentários desse blogue, o que por um lado é entusiasmante (afinal, só se rouba a identidade a pessoas importantes), mas por outro lado mostra uma preocupante falta de noção das proporções: cabe na cabeça de alguém sequer imaginar que eu precisaria de recorrer ao anonimato para falar mal da Direcção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos, cuja desastrosa actuação já aqui por diversas vezes denunciei? De que planeta é que esta gente vem?
Enfim, são provavelmente os 5 anos de blogosfera que me fazem olhar com estupefacção (e, confesso, muita sobranceria...) os actos destes totós... :)))

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quinta-feira, novembro 27, 2008

A ser verdade o que refere este blogue (e tanto quanto me informaram, é mesmo verdade...), a situação na Ordem dos Farmacêuticos está, para ser comedido nas palavras, uma enorme bandalheira. Dos 7 elementos que compunham a Direcção Nacional, apenas 3 subsistem, sendo que 2 já apresentaram mesmo a demissão (entre eles a própria bastonária!), enquanto um dos outros suspendeu o mandato e o outro pura e simplesmente falta a todas as reuniões...
De um modo absolutamente insólito, alguém defendeu a tese de que, existindo 5 elementos ainda formalmente em funções, passam a ser necessários apenas 3 para garantir o quórum!!!!!!!!!!!!!! Ou seja, com base nesta tese, se se demitissem 6, não só o problema do quórum estaria definitivamente resolvido, como todas as decisões passariam a ser tomadas por unanimidade!
Enfim, tudo isto seria apenas tragicómico se os três resistentes iluminados não tivessem o desplante de tomar decisões absolutamente críticas como sejam o aumento de quotas e a aprovação de orçamentos e planos de actividades, para as quais não têm fundamento legal, moral ou sequer qualquer legitimidade política formal.

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segunda-feira, novembro 24, 2008

A Ordem dos Farmacêuticos está a ferro e fogo. Surgiu na semana passada um blogue (juro que não tenho nada a ver com ele!) que começou por divulgar parte da carta de demissão do ex-Secretário-Geral da OF e no qual se instalou um duro debate sobre o estado da profissão.
A actual Direcção Nacional da OF actua repetidamente de forma ilegal (decidindo sempre sem quórum), não tem legitimidade política (até a bastonária já se demitiu...) e, vá lá saber-se porquê, decidiu afundar-se com o navio.
Elisabete Faria, agarrada ao lugar como uma lapa, auto-intitula-se bastonária da OF sem o ser, acumula intervenções mediáticas absolutamente desastrosas, perde todas as discussões em que se envolve (veja-se o triste exemplo da insólita "guerra" com os enfermeiros por causa das injecções, em que a OF surge no inesperado papel de defensora do Ministério da Saúde...) e reduziu o papel social da OF a uma perspectiva assistencialista, paternalista e economicista (no pior sentido) absolutamente irrelevante.
Esta DN da OF não percebe nada de política, é um desastre mediático e resume o papel da OF na sociedade a acções filantrópicas avulsas e à venda (a peso de ouro) de acções de formação patéticas.
Mais do que preocuparem-se com o facto de deverem ou não haver eleições, o que os farmacêuticos neste momento devem é reflectir sobre como é que foi possível chegar a este ponto.

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sexta-feira, novembro 14, 2008

Seis e meia da tarde de um dia perfeitamente normal em Espinho. Entro na Farmácia mais próxima para comprar uma embalagem de leite em pó. Oito pessoas à espera (eu era o nono). Ao balcão apenas um simpático e idoso técnico de farmácia, que com a maior das naturalidades ia flirtando com uma igualmente idosa velhinha, alternando os sorrisos com informações tecnicamente erradas sobre os medicamentos que estava a dispensar.
Do interior da farmácia ouviam-se vozes e gargalhadas - aquele era claramente um local alegre, pelo menos para o técnico, para as vozes internas e para a velhinha. Dez minutos depois continuava tudo na mesma, apenas com a diferença de naquela fase já sermos doze almas penadas a partilharem o martírio comum. Obviamente fui-me embora.
Um pouco contra os meus princípios, mas sobretudo porque estava cheio de pressa, dirigi-me a uma parafarmácia que ficava ali perto. O cenário não poderia ser mais diferente: na loja estavam duas funcionárias indiferenciadas e nenhum cliente. Quase surpreendidas por me verem, trataram-me como um Rei e acompanharam-me a uma ampla secção de leites para crianças. Impressionado com a simpatia de que estava a ser alvo, decidir beneficiar do tratamento personalizado:
- Qual é a diferença entre este leite e este? - perguntei eu à solícita funcionária, apontando para duas embalagens da mesma marca, apenas separadas pela designação "comfort".
Quebrou-se o encanto. Os primeiros 7 centésimos de segundo foram passados de olhos esbugalhados a olhar para mim, os restantes 93 serviram para a minha interlocutora franzir o sobrolho e ao fim de 2 segundos a resposta lá surgiu, com a precisão de um míssil iraniano:
- Os pediatras umas vezes receitam um e outras vezes receitam outro.
Agradeci o brilhantismo da resposta, paguei e fugi apavorado.

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sexta-feira, outubro 24, 2008

Há todo um mundo de farmacêuticos zangados nos EUA. Conheçam o fantástico mundo de Jim Plagakis:

“Come on, asshole, do I look like a fuckin’ clerk? Where is the sign up front that says ‘Don’t look right, don’t look left, go straight back to the pharmacy and ask the guy in a white coat?’ You fuckin’ idiot.”

That is what I was aching to say. What I really said was, “I’m the pharmacist, sir. I don’t even think that this drug store sells 12 volt car batteries.” I was unlucky to be standing outside the pharmacy. My lunch break was just starting. I just wanted to eat my tuna and garbanzo bean salad in a pita bread and drink a bottle of water. The guy persisted.

“Every drug store sells 12 volt car batteries.” This asshole was drunk. The aldehyde stink coming from his mouth gagged me. He actually put his hand on my forearm and squeezed.

I spun and blasted this motherfucker on the side of the head. He went to his knees and looked up at me. There was a “what the fuck?” look on his face. I gave him a knee to the nose and had a thrill run up my body to see so much gushing, bright red blood. An ivory white tooth sat in the pool of red.

The store manager came back with a “what the fuck?” look on HIS face. I grabbed his throat. “If you don’t want some of the same, motherfucker, you’ll get your lousy ass back to your office.”

The battery guy was crawling away. I grabbed his right ankle and pulled him back. I had seen a cop show where the officer dropped his knee into a bad guy’s spine. So, I did it with a dramatic yell. There was a sickening crunch and I said, “Oh Oh”.

That is what I wanted to do. Instead I said, “It’s not my department. You’ll have to find someone else. This is the pharmacy. We fill prescriptions.”

He said, “How about I buy you lunch, Mister Pharmacist. We can talk business. Bring the Norcos.”

Enough is enough. This son of a bitch was going down. I swung at him, but had overestimated his state of drunkenness. He moved like a cat, but I dodged his girly girly fist. I assumed the position. Right foot back 6 inches, Fists at collarbone level. We eyed each other warily. I knew his weakness. He would throw a wild punch. I was ready. My daughter is a black belt in Taekwondo.

By now there was a crowd. Millie Cromby, the dentist’s wife eyes were lit up. She was breathing hard. Her nipples were hard underneath the filmy blous. She liked me and I liked her. I smiled. She smiled. With all this smiling, the battery guy had launched a lethal blow. I caught his wrist with my right hand, twisted to my left and, with a flat left hand, hit the rear of his right elbow of his straight arm. The strike made his arm bend in the wrong direction. There was a crunch and a yowl. I released the asshole and he fell like a wet rag to the floor. “Stay down, asshole.” He tried to roll over. “Stay down!” With a whimper, he embraced the floor.

I have wanted to do something like that for 44 years. It is so that when you vividly imagine something, the brain actually thinks it was real. A drug store fantasy. Ah, that felt good. Try it.

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Mais um blogger farmacêutico, desta vez um irado republicano americano: The Angry Pharmacist

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quinta-feira, outubro 23, 2008

Uma muito interessante notícia do DN, a mostrar como é que as coisas podem e devem ser feitas...


20% das complicações devem-se à medicação
A principal causa de complicações em doentes nos hospitais está associada à prescrição de medicamentos. Dados internacionais, confirmados numa unidade portuguesa, demonstram que "20% dos problemas se devem à toma de fármacos, sobretudo a reacções adversas", diz José Lopes Feio, da Comissão de Farmácia e Terapêutica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).

O responsável refere mesmo que entre 20% e 30% do total das reacções adversas ocorrem em hospitais, gerando custos de tratamento da ordem dos cinco mil euros por doente.

Um simples ajustamento do processo organizativo evitaria "60% dos erros fatais, fora as complicações mais ligeiras", admite ao DN. Erros de prescrição são 56% do total dos erros evitáveis; a administração, 34%; e transcrição da informação, 6%.

Esta é uma realidade que já está a ser combatida em vários hospitais, mas o melhor exemplo é o dos HUC. Desde 2000, "e em apenas dois anos, poupámos oito milhões de euros. Anualmente, a despesa caiu de 70 para 60 milhões de euros", diz, lembrando que os maiores ganhos foram na segurança do utente.

O sistema visa sobretudo auxiliar o médico na prescrição, feita online, de um remédio. No acto, o responsável tem acesso a toda a informação sobre os medicamentos, como as doses recomendadas. No grosso dos casos, a informação é validada pelo farmacêutico, o que ajuda a reorganizar.

Uma forma de aumentar a segurança e controlar os gastos é colocar mais farmacêuticos nos serviços clínicos hospitalares, uma ideia também defendida pela bastonária Elisabete Faria. Actualmente, há 20 hospitais com apenas um farmacêutico, o que significa que são necessários mais 300 na rede (que tem 500). José Lopes Feio reconhece que há um aumento dos custos com medicamentos em todos os hospitais. Se entre Janeiro e Julho subiram 5,5% em relação ao período homólogo (acima dos 3,9% previstos) foi porque "o número de doentes aumentou. "Houve uma subida de 17% a 18% nos gastos com doentes com artrite reumatóide ou com cancro. À Lusa, os administradores hospitalares defenderam a uniformização da prescrição para controlar os gastos.|

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sexta-feira, outubro 03, 2008

"A instalação e a localização de farmácias é um processo regulado pelo Ministério, numa perspectiva do interesse geral, baseada em critérios de saúde pública, sendo por isso exógeno a um processo concorrencial”

Não, esta imbatível frase não foi dita por nenhum farmacêutico como reacção aos estudos da Autoridade da Concorrência sobre o sector. Foi a própria Autoridade da Concorrência que a escreveu, na resposta a uma questão colocada pela Ordem dos Farmacêuticos relativamente à abertura de farmácias comunitárias nos hospitais... :)))

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quinta-feira, setembro 25, 2008

O Diário de Coimbra é um jornal deveras interessante e que cada vez selecciona melhor os articulistas de opinião... :))



... e para quem não tiver os níveis de acuidade visual necessários para ler a imagem acima, cá fica o original do texto:

Na melhor nódoa cai o pano

Se analisarmos a actuação política dos últimos Ministros da Saúde em relação ao medicamento e às farmácias, verificamos que, já neste milénio, ocorreram os seguintes episódios: por duas vezes o preço dos medicamentos baixou 6%; as margens de lucro das farmácias foram reduzidas duas vezes, primeiro em 4,3% e depois em mais 4,7%; o preço de alguns medicamentos genéricos foi administrativamente baixado em escalões de 12%, 9% e 6% (segundo um complexo sistema progressivo relacionado com as respectivas quotas de mercado) e todos os genéricos viram o seu preço ser posteriormente diminuído em 30%; vários medicamentos passaram a ser vendidos fora das farmácias, por profissionais aos quais não era exigida qualquer qualificação especial (embora sob supervisão qualificada, mas não necessariamente por farmacêuticos); abriram centenas de novas farmácias; permitiu-se a propriedade de farmácias a não farmacêuticos; os concursos para atribuição de novas farmácias passaram a ser decididos por sorteio; passou a ser possível venderem-se medicamentos pela internet; não se implementou a prescrição por denominação comum internacional; manteve-se o contraditório conceito de “medicamento genérico de marca”; não se implementou a prescrição de medicamentos em unidose; não se completou a remodelação da legislação relativa a medicamentos manipulados; passou a ser legal vender medicamentos de uso veterinário fora das farmácias; o Plano Nacional de Saúde não faz qualquer referência aos serviços farmacêuticos; a reforma dos Cuidados de Saúde Primários não contempla os serviços farmacêuticos e o modo como estes se integram na arquitectura do SNS; foi assinado um protocolo entre o governo e uma associação de proprietários de farmácias que faz com que nestes estabelecimentos passe a ser possível a prestação de vários serviços não directamente ligados ao medicamento (como por exemplo a administração de injecções); na farmácia hospitalar são cada vez mais raros os farmacêuticos que actuam nos verdadeiros centros de decisão, sendo as suas funções desempenhadas por administradores hospitalares indiferenciados.
Estas medidas tão díspares na natureza e no tipo de legislação envolvida obedecem, no entanto, a uma matriz comum: há uma contínua e bastante consistente desconsideração da sociedade pelos serviços prestados pelos farmacêuticos. Para os diversos governos, o alvo foi sempre o mesmo na hora de cortar na despesa e mesmo as medidas mais óbvias e consensuais (como por exemplo a prescrição por denominação comum internacional) foram proteladas a favor de iniciativas legislativas que afectam mais directamente os farmacêuticos que outros profissionais. De facto, hoje é evidente que a sociedade em geral e os governos em particular têm sobre os serviços farmacêuticos uma opinião comum: são demasiado caros para o valor que proporcionam. E por isso devem ser o primeiro alvo de toda e qualquer iniciativa de restrição orçamental ou profissional.
Por outro lado, o governo continua a investir na formação de farmacêuticos: há cada vez mais licenciaturas em Ciências Farmacêuticas e cada uma delas tem cada vez mais alunos. Em Coimbra está mesmo a ser construída uma nova e bastante moderna Faculdade de Farmácia.
Ou seja, ao mesmo tempo que legisla de modo a que a intervenção farmacêutica e dos farmacêuticos no SNS seja cada vez menor, o Estado investe recursos públicos consideráveis na formação destes profissionais, o que é profundamente contraditório. Está pois na hora de se parar para pensar e enfrentar a realidade: a contratação de um indivíduo licenciado e altamente qualificado para o exercício de funções que podem ser desempenhadas por qualquer funcionário indiferenciado é um acto muito pouco custo-efectivo na perspectiva dos agentes económicos e perfeitamente irrelevante em termos do respectivo valor social e de Saúde Pública.
De facto, aos farmacêuticos deveria caber um papel de monitorização fármaco-terapêutica dos doentes, verificação de interacções medicamentosas, farmacovigilância, aconselhamento, participação em programas de saúde preventiva, promoção de terapêuticas medicamentosas custo-efectivas, lançamento de programas de cuidados farmacêuticos (como os que já existem para a asma e diabetes, por exemplo) e interligação com outros profissionais de saúde em termos de prestação de informação técnica especializada, acompanhamento de doentes, gestão do risco clínico, renovação de receituário e revisão de medicação. Falta ao SNS uma cultura de colaboração conjunta e interligação entre os vários profissionais de saúde. As dificuldades de comunicação existentes limitam os benefícios de algumas iniciativas e são altamente prejudiciais aos doentes, quer em termos de saúde, quer sob o ponto de vista económico. Actualmente as equipas clínicas que actuam no SNS acabam por funcionar numa lógica de acumulação sequencial de actos individuais e não num contexto de decisão integrada e multidisciplinar. A falta de comunicação entre profissionais conduziu a uma segmentação do conhecimento e da respectiva intervenção, que em nada beneficia o doente, não contribui para optimizar recursos e até é susceptível de originar erros de medicação.
O actual modelo farmacêutico português poderia ser melhorado e acredita-se que existe no SNS capacidade instalada para fazer muito mais e melhor.
Está, pois, na hora da sociedade dizer o que pretende dos farmacêuticos. E está também na hora de os farmacêuticos demonstrarem o que podem fazer pela sociedade.

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sexta-feira, setembro 05, 2008

Vai rija a discussão no Boticário de Província. E, qual maçã de Newton a caminho do chã, cá fica também a minha opinião: esta decisão (dos farmacêuticos darem injecções) é uma perfeita estupidez, um tiro no pé da classe farmacêutica (foi a ANF que pediu isto ao governo) e é totalmente desnecessária para o SNS. Passo a justificar:
- Com o exercício deste tipo de actividades não directamente ligadas à sua formação, os farmacêuticos despolarizam o exercício da sua actividade e entram em áreas que não dominam (é patético o curso de 20 horas promovido pela Ordem dos Farmacêuticos). Se hoje em dia é raro encontrarem-se farmácias e farmacêuticos que desempenhem bem a plenitude das suas funções (a culpa é do sistema - e digo-o sem ponta de ironia), à medida que se vão adquirindo novas tarefas será inevitável o caminho no sentido inverso ao da avaliação farmaco-terapêutica dos doentes, análise de interacções medicamentosas, promoção da adesão à terapêutica, farmacovigilância, aconselhamento, etc. Ou seja, a troco de meia dúzia de tostões (ganhos indirectamente em "afinidade pela Farmácia" e outros esotéricos conceitos de marketing) os farmacêuticos passam a ser uma entidade profissional nova, espécie de quimera nascida a meio caminho entre um farmacêutico, um enfermeiro, um analista clínico, um médico, um homeopata, um veterinário, um vendedor de produtos naturais, um bombeiro, um conselheiro de uma perfumaria e uma funcionária da Chicco. Não, não se ganha nada com este tipo de iniciativas. Aliás, antes pelo contrário - cada vez a sociedade reconhece menos as vantagens da intervenção farmacêutica no circuito do medicamento (vejam o que vos aconteceu às margens...)!
- Haveria sempre o argumento de que os farmacêuticos não deveriam olhar apenas para o seu próprio umbigo e que esta medida é boa para os utentes, que deste modo têm injecções "mais à mão" que nos centros de saúde. No entanto, também este argumento não colhe: por um lado porque este não é um problema especialmente relevante (pelo menos, não é uma prioridade do SNS) - não são frequentes as queixas de falta de disponibilidade dos enfermeiros para darem injecções e nesse aspecto a rede de Cuidados de Saúde Primários sempre funcionou bem. Além disso, seria sempre possível que as injecções passassem a ser dadas nas farmácias... mas por enfermeiros contratados para o efeito!

Enfim, esta é claramente uma boa época para deixar de ser farmacêutico comunitário. Dar injecções? Apre!

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terça-feira, agosto 05, 2008

Pela calada, à entrada de Agosto e de um modo ultra-discreto, a Ministra da Saúde Ana Jorge deu provavelmente a maior bordoada de sempre às farmácias portuguesas e à ANF.
De facto, comparadas com a descida de 30% no preço dos genéricos, todas as iniciativas de Correia de Campos são peanuts: depois da dupla redução de 6% no PVP (11,6% redução acumulada) de todos os medicamentos sujeitos a receita médica e do estrangulamento das margens das farmácias e armazenistas, os genéricos eram uma fonte de margem de lucro que permitia às farmácias manterem o seu equilíbrio financeiro e sobretudo económico. Com esta medida provavelmente tudo mudará: obviamente que a indústria fará reflectir esta diminuição nas margens atribuídas às farmácias e com isto serão estas directamente quem suportará os custos da medida. O facto de já estar há alguns meses afastado da realidade profissional diária da farmácia de oficina faz com que não tenha a plena noção da percentagem da margem que é devida aos genéricos. No entanto, seguramente que deverá ser bastante elevada (30%? - neste caso haveria uma diminuição de 9% na margem real, que passaria para cerca de 22%). Traduzindo tudo em miúdos, a margem de negócio das farmácias diminuiu acentuadamente, o que poderá causar perdas directas de cerca de 31.500€ por ano a uma farmácia média.
Oportunamente falarei das consequências desta medida para o SNS, médicos e utentes.

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quinta-feira, julho 31, 2008

É profundamente lamentável o instrumentalismo com que as limitações físicas da Bastonária têm sido tratadas pelos poucos elementos que ainda se mantêm na Direcção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos.
E é absolutamente insustentável que a OF se mantenha em funcionamento com uma DN sem qualquer credibilidade, legitimidade ou aceitação pelos farmacêuticos, sobretudo desde que se falhou o cumprimento da principal (e única...) medida que constava da agenda eleitoral de Irene Silveira: afinal, e ao contrário do que tantas vezes foi prometido, não acabou o processo de renovação da carteira profissional!
Uma DN quase unipessoal que alicerça a sua legitimidade democrática em eleições ganhas com base numa única proposta não pode sobreviver depois da queda simultânea da pessoa e da proposta.
Ou seja, são inevitáveis as eleições na OF!

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sábado, junho 21, 2008

Uma magnífica iniciativa da Secção Regional de Coimbra da Ordem dos Farmacêuticos:

No Diário de Coimbra:

Mais de 800 farmacêuticos já aderiram ao seguro de responsabilidade profissional contrata A Secção Regional de Coimbra da Ordem dos Farmacêuticos (OF) contratou para os seus membros um seguro de responsabilidade civil profissional, oferecendo-lhes uma protecção de que até agora não dispunham em caso de erro e eventuais danos para o doente. Até agora já aderiram mais de 800 farmacêuticos a este seguro, dos cerca de 1.200 que podem por ele ser cobertos na região.«O farmacêutico que lida com doentes, seja nas farmácias hospitalares, nas farmácias de oficina ou nos serviços de análises clínicas estão sujeitos a erros profissionais que podem causar danos aos doentes, por exemplo, a troca acidental de um medicamento», explica Francisco Batel Marques, presidente da Secção Regional de Coimbra da OF. Este seguro, criado em meados de Maio através de protocolo com uma mutualista que se dedica exclusivamente à protecção de profissionais de saúde, cobre até 50 mil euros por profissional e não custa nada aos farmacêuticos. «É completamente gratuito, os farmacêuticos só têm de aderir, já que o custo está incluído no valor das quotas que pagam à Ordem», frisou o responsável.A Secção de Coimbra da OF tem cerca de dois mil membros, mas nem todos beneficiam com este seguro de responsabilidade civil profissional. De fora ficam os que mão lidam com doentes – investigadores ou docentes, por exemplo – e outros cujo vínculo profissional responsabiliza não a eles mas a entidade para a qual trabalham. «A Ordem, com entidade reguladora da profissão, não tinha coberto esta necessidade importante dos seus membros», repara Batel Marques, desconhecendo se outras secções regionais tomaram ou não medidas idênticas. Além das consequências para o profissional – a indemnização, por exemplo -, o especialista sublinha eventuais prejuízos para o utente, que podem, assim, ser minimizados. Este seguro, apresentado ontem publicamente, surge, segundo o presidente da Secção, como uma medida preventiva e não devido a um número crescente de queixas sobre os farmacêuticos. Com a liberalização da propriedade das farmácias, os novos donos «podem não estar interessados em abranger todos os profissionais com seguro de responsabilidade civil», sendo este seguro uma alternativa gratuita para qualquer farmacêutico inscrito na Ordem. Batel Marques explica que «todas as farmácias de oficina sócias da Associação Nacional de Farmácias têm um seguro, no entanto fica ao critério dos proprietários a associação ou não a esta entidade». Farmacêuticos hospitalares estavam desprotegidosUma das grandes preocupações da Secção Regional de Coimbra da Ordem dos Farmacêuticos foi proteger os farmacêuticos hospitalares. Segundo Batel Marques, estes profissionais fazem hoje «cedência de medicamentos para uso em ambulatório e não tinham, até aqui, qualquer cobertura a nível de seguros». O maior número de medicamentos disponível no mercado e as reacções que estes podem provocar, por um lado, e a cada vez maior informação e exigência dos utentes, por outro, fazem com que, a par das boas práticas e do rigor profissional, a OF se preocupe com a segurança dos profissionais. Ontem à noite, a Secção de Coimbra da OF realizou na sua sede um painel de debate subordinado a este tema da responsabilidade civil profissional dos farmacêuticos.

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terça-feira, junho 03, 2008

Interessante e muito oportuno debate sobre o futuro e profissão farmacêuticas no Impressões de um Boticário de Província, com continuação no grupo de discussão Farmacêuticos.

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